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domingo, 1 de agosto de 2010

Análise do Discurso: imagem e memória – intericonicidade (vídeo)

Apresentamos aqui dois vídeos que casualmente dialogam acerca da questão da imagem e memória. No primeiro vídeo, Courtine, em entrevista concedida ao prof. Dr. Nilton Milanez, tece considerações sobre essas questões, afirmando que as imagens correspondem a memórias sociais do indivíduo. No segundo vídeo, criado para uma aula de semiótica de curso de Design, a música A Revolta dos Dândis dos Engenheiros do Hawaii está ilustrada por imagens que remetem a determinadas memórias sócio-históricas.

Entrevista de Jean-Jacques Courtine:

A Revolta dos Dândis:

sábado, 24 de julho de 2010

Questões sobre Semântica - Leitura de Texto

Formulamos questões (para o ensino médio ou superior) abordando os efeitos de sentido produzidos pelo uso de diminutivos, o uso de palavras com conotação diferenciada, o uso de efeitos de subjetividade/objetividade, o uso de variantes linguísticas.

Como identificar um usuário

Antes de identificar um usuário de drogas é necessário definir como entendemos os termos usuário e droga.

Podemos dizer que identificar um usuário é tarefa muito simples: quem toma um cafezinho, bebe uma cervejinha, fuma um cigarrinho e toma um remedinho (por conta própria ou por indicação médica), é usuário de droga!

sábado, 27 de março de 2010

O léxico da língua portuguesa: resumo da história de sua formação

Neologismos, estrangeirismos ou empréstimos fazem parte da constituição do léxico de nossa língua. O léxico, ou seja, o conjunto de palavras que a língua possui é um repertório em constante modificação através do tempo. Enquanto novas palavras são incorporadas, outras deixam de ser usadas, tornando-se arcaicas e desaparecendo.

O português originou-se do latim vulgar, que era a língua falada pelas classes sociais mais humildes do Império Romano. Nas diferentes regiões romanizadas, o latim sofreu alterações, resultando em dialetos,

terça-feira, 16 de março de 2010

Dicionário de Linguística Online



A Associação Portuguesa de Linguística apresenta uma nova edição do Dicionário de Termos Linguísticos, disponível para consulta on-line. Para acessar o Dicionário, clique neste link do Portal da Língua Portuguesa.

Se preferir baixar o dicionário, clique neste link.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tudo sobre alfabetização, letramento e linguagem


O material do MEC Alfabetização e linguagem - reunindo oito fascículos, em edição revista e aumentada, de 2007 - do Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/Séries Iniciais do Ensino Fundamental (Pró-Letramento), com 364 páginas, em pdf, é um manual completo sobre o tema abordado. Nesse texto, elaborado com base em estudos linguísticos e pedagógicos atualizados, os seguintes tópicos são abarcados:

1 - Capacidades Lingüísticas: Alfabetização e Letramento
São introduzidos conceitos fundamentais, como alfabetização, letramento e ensino de língua. E são apresentadas as principais capacidades a serem desenvolvidas nos anos iniciais da escolarização.
2 - Alfabetização e Letramento: Questões sobre Avaliação
São discutidas estratégias de avaliação formativa e continuada.Também são sugeridas atividades em sala de aula.
3 - A Organização do Tempo Pedagógico e o Planejamento do Ensino
Relatos de experiências de planejamento do docente, com ênfase nas práticas de leitura e escrita na rotina escolar.
4 - Organização e Uso da Biblioteca Escolar e das Salas de Leitura
São analisadas diferentes modalidades de leitura e de suportes de textos. Comenta-se a necessária mediação do professor. Trata-se, ainda, da relevância do uso cotidiano do dicionário em sala de aula.
5 - O Lúdico na Sala de Aula: Projetos e Jogos
São dados exemplos de jogos e brincadeiras em que os alunos colocam em prática habilidades diretamente relacionadas à Língua Portuguesa: produção de um almanaque, atividades lúdicas de leitura e escrita, de canto e expressão oral e de compreensão do sistema de escrita alfabética.
6 - O Livro Didático em Sala de Aula: Algumas Reflexões
Trata-se do processo de modificação dos livros didáticos a partir da institucionalização do NLD; o processo de escolha e as características dos novos livros didáticos; e o uso que os professores fazem do livro didático.
7 - Modos de Falar/Modos de Escrever
São analisados os modos de falar e modos de escrever, a interação entre esses modos e as relações com a aprendizagem da escrita.
Fascículo Complementar
Retoma e aprofunda questões relacionadas à leitura e à produção textual na formação linguística do aluno e na sua constituição como sujeito-leitor e produtor de textos.
Para baixar Alfabetização e linguagem clique em:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Denotação e conotação: conceito e exemplos + vídeo


A denotação consiste na associação entre o plano de expressão e o plano de conteúdo, de modo que um certo significante remete a um dado significado. Usualmente os dicionários registram os diversos conceitos que as palavras denotam, ou seja, os sentidos denotativos delas.

Quando a um sentido denotativo se acrescenta outro sentido paralelo, ocorre a conotação. Isto é, o signo é investido de outro plano de conteúdo, com uma carga de valores sociais ou de impressões, assumindo um sentido conotativo.

Observe a imagem e o texto verbal publicados na capa da revista Veja:

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Polissemia e homonímia: relação entre significados e significante textual + vídeo


Ocorre a polissemia quando um único significante está associado a significados distintos. No exemplo abaixo, o efeito de humor advém das diferentes interpretações da palavra fazendas, as quais se sobrepõem:
Primeiro foi aquela gata maravilhosa (wonderful pussy) que dizia ser proprietária de grandes fazendas! Eu acreditei? Na verdade eram mesmo fazendas, só que daquelas que após alguns meses viram trapos! Era um monte de panos! (SANTOS, Osmar A. Sem rei, nem bar, somente Osmar. São Paulo: Com-Arte, 1996)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ambiguidade: relação entre significante e significado textual + vídeo


Ocorre a ambiguidade quando um mesmo significante textual está associado a significados textuais diferentes.

Por exemplo, uma propaganda da revista Quatro Rodas apresentava uma tabuleta disposta à frente de uma praia, com a seguinte frase: VENDEM-SE 8000 KM FRENTE PARA O MAR. Abaixo da tabuleta, via-se o Guia de Praias da revista.

Nesse caso, ao significado literal - de que se vendia uma enorme área litorânea - superpôs-se outro: de que se vendia um guia das praias de toda a costa brasileira (os 8.000 km).

domingo, 20 de dezembro de 2009

Paráfrase: relação entre significado e significante do texto


Um texto é um grande signo da linguagem verbal. Enquanto signo, possui um significante e um significado. O significante é a parte perceptível do signo, formada de sons, que podem ser representados por letras e sinais de pontuação. O significado é a parte intelegível do signo, constituída do conceito global que o texto encerra.

Paráfrase

É comum que um mesmo significado textual esteja associado a significantes textuais diversificados, ou seja, diz-se a mesma coisa em outras palavras. Quando isso ocorre, dizemos que os textos se parafraseiam. Por exemplo, são paráfrases os textos 1 e 2 a seguir, sintetizados em frases:

1 - As pessoas de uma classe social não devem se misturar a pessoas de outras classes.

2 - Cada macaco no seu galho. (dito popular)

domingo, 15 de novembro de 2009

Som x letra: a fala equivocada de personagens infantis


Em seu texto, Cliança tloca o ele (r) pelo ele (l)?, publicado na da revista ComCiência (10/11/2009), Rodrigo Cunha, linguista e editor do periódico, discorre sobre os equívocos entre escrita e fala no imaginário das pessoas em geral, especialmente naqueles divulgados através de personagens de revistas, filmes e desenhos da TV dirigidos ao público infantil.

Cunha tece comentários acerca dos seguintes personagens: o patinho Ming-Ming (de desenho da TV Cultura de São Paulo, chamado Super Fofos), o Cebolinha (das histórias da Turma da Mônica, de Maurício de Souza) e o Hortelino (dos desenhos do Pernalonga e do Patolino).

A seguir, transcrevemos parte desse texto:

domingo, 4 de outubro de 2009

Livro de Koch sobre Produção Textual

O livro O texto e a construção dos sentidos, de Ingedore G.V. Koch não está disponível para baixar, mas a Editora Contexto permite a visualização de 40 páginas dessa obra. Tais páginas correspondem à introdução, ao primeiro capítulo (Atividade de Produção Textual) e a parte do segundo capítulo (Atividades e Estratégias de Produção Textual).

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A sinonímia depende do contexto + vídeo

Quando um significado idêntico ou parecido está associado a significantes diferentes, ocorre a sinonímia entre as palavras.

Por exemplo, são sinônimas as palavras contente e feliz das frases abaixo:

Zizi ficou contente com o presente.
Zizi ficou feliz com o presente.

Para se dizer que as palavras são sinônimas, deve-se considerar o contexto em que elas ocorrem.


Observe as frases a seguir:

a) Feliz possui duas sílabas.
b) Você foi feliz na sua escolha.
c) Um feliz acaso nos uniu.

Em nenhum desses casos feliz pode ser considerado um sinônimo de contente. Não podemos usá-los indiferentemente nesses contextos.

Na frase (a), leva-se em conta apenas o significante de feliz, que é diferente de contente (que contém três sílabas).

Na frase (b), feliz significa bem sucedido, sentido que contente não possui.

E, na frase (c), feliz equivale a venturoso, não correspondendo, pois, a contente.

No vídeo que segue, o professor explica o conceito de signo, abordando o significante e o significado, de modo simples, com ilustrações e exemplos, tratando da sinonímia e de outras relações semânticas:

Língua, discurso e texto: distinções

A língua é um sistema abstrato que só existe, como um todo, na mente da sociedade que dela se serve. Nenhum membro dessa sociedade, isoladamente considerado, tem o domínio completo da língua ou pode modificá-la sem o consentimento do grupo social. Esse sistema governa tudo o que é possível dizer – seja porque já foi dito e aceito um dia, seja porque possa vir a ser aceito algum dia.

Por exemplo, costurar e descosturar, casar e descasar foram ditos e aceitos. Já desmorar (deixar de morar) pode vir a ser dito e aceito, pois é uma virtualidade (possibilidade) da língua portuguesa.

Nesse sistema abstrato, incluem-se entidades, também abstratas, chamadas discursos. Os diferentes discursos correspondem às diferenciadas concepções de mundo que os diversos grupos sociais possuem. Cada tipo de discurso deixa suas marcas sociais naquilo que é dito e determina a concepção de mundo que é adotada.

Por exemplo, se alguém diz “A mulher é inferior ao homem”, produz um discurso de acordo com o pensamento de um grupo da sociedade: o dos machistas.

Os discursos materializam-se através dos textos (orais ou escritos). O texto é um elemento concreto da língua, produzido por um dos indivíduos do grupo social. Cada texto traz as marcas do estilo individual de quem o produziu e as marcas sociais do discurso ao qual está ligado.

Por exemplo, consideremos que as quatro frases a seguir sintetizem quatro textos diferentes:

1) Os brancos têm índole boa, e os negros têm índole má.
2) Este é um negro de alma branca.
3) Você é preto, mas é legal, cara.
4) No cômputo do valor, não se inclui a cor.

Podemos distribuí-los entre quatro estilos diferentes:
- elaborado, formal: (1)
- frase-feita: (2)
- gírio: (3)
- elaborado, poético: (4)

Já quanto às concepções que veiculam, os textos se ligam a dois discursos opostos:
- racista: (1),(2) e (3)
- antirracista: (4)

Resumindo:

A língua é um sistema abstrato e social, abrigando diferentes discursos de grupos sociais. Os discursos se materializam através dos textos produzidos pelos indivíduos da comunidade lingüística.

domingo, 5 de julho de 2009

A Línguística e a Realidade da Língua Portuguesa


O Museu da Língua Portuguesa disponibiliza para download um texto fundamental para quem se interessa pelo ensino da língua e pelo conhecimento desta trazido pela Linguística. Trata-se de Linguística e ensino da língua portuguesa como língua materna, do Prof. Rodolfo Ilari, da Unicamp, que, no seu texto, apresenta as seguintes considerações:

Nos últimos quarenta anos, foi acumulada uma quantidade impressionante de informações sobre a língua que se fala neste país, sua diversidade, sua história. Nesse contexto mudado, o debate se coloca hoje de maneira muito mais clara como uma escolha entre duas atitudes opostas: é possível abrir os olhos para a realidade lingüística, compreendê-la a fundo, aceitá-la e trabalhar a partir dela, assim como é possível fechar os olhos à realidade, decidindo dogmaticamente como ela deveria ser. A opção da Lingüística tem sido pelo conhecimento do que existe e pela superação do preconceito.


Para baixar o texto, em pdf, clique em:

http://www.poiesis.org.br/files/mlp/texto_3.pdf

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Coesão Textual e Leitura


O conceito de coesão textual está relacionado às interligações entre os elementos da superfície do texto através de recursos linguísticos, formando sequências orientadas para determinados sentidos.

Em seus estudos, Ingedore Koch considera duas modalidades amplas de coesão: a coesão por remissão e a coesão sequenciadora. A primeira diz respeito aos mecanismos linguísticos de reativação de referentes ou de sinalização textual. A segunda tem a ver com os expedientes que fazem o texto avançar, com a continuidade dos sentidos.

Os mecanismos de reativação de referentes são a anáfora e a catáfora, ou seja, recursos que retomam antecedentes linguísticos do texto (remissão para trás) ou que orientam para o que se enuncia a seguir (remissão para a frente), respectivamente.

A referenciação anafórica pode efetivar-se através de recursos gramaticais – pronomes pessoais de terceira pessoa, possessivos, demonstrativos, indefinidos, relativos, interrogativos, numerais, advérbios pronominais (como: aqui, ali, lá) e artigos definidos –, através de recursos lexicais - sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos, descrições definidas – , através de da reiteração de um mesmo grupo nominal ou parte dele ou, ainda, através da elipse.

Exemplos:

A criança puxava o rabo do gato. Sua mãe dizia-lhe que não fizesse aquilo. (O pronome possessivo retoma criança; o pronome pessoal também retoma esse substantivo; o demonstrativo retoma o predicado da oração do primeiro período puxava o rabo do gato.)

Um cliente possuía conta em três bancos. No primeiro, depositava quantias mais elevadas. Lá o correntista aplicava as somas obtidas de negócios escusos que mantinha na cidade. (O numeral retoma bancos; o advérbio retoma no primeiro (banco); a descrição definida retoma cliente; o pronome relativo retoma negócios.)

É comum a referenciação por meio de “pistas” expostas na superfície do texto, ou seja, através da inferenciação. Nesse caso, conhecimentos que fazem parte de um mesmo esquema (frame ou script) são acionados do particular para o geral, de partes para o todo, de um indivíduo para uma espécie e vice-versa. Por exemplo:

A monocultura tende a esgotar a fertilidade do solo. Essas práticas ainda são usuais nos dias de hoje.

O banheiro era espaçoso. Os azulejos eram decorados com motivos florais.

A referenciação catafórica predominantemente se opera por meio de pronomes demonstrativos ou indefinidos neutros (tudo, nada, isso, isto, aquilo), ou, ainda, através de nomes genéricos. Com menor frequência, a catáfora ocorre com os outros tipos de pronomes, com numerais e advérbios pronominais. Exemplos:

Com a neblina, não se enxergava nada: pista, placas de sinalização, acostamento. (o pronome indefinido faz referência a todos os elementos citados a seguir.)

Ela era uma pessoa piedosa, a mãe de Júlio. Dela todos poderiam esperar uma coisa: solidariedade. (O pronome pessoal referencializa a mãe de Júlio; a generalização faz referência a solidariedade.)

A sinalização textual (a que Koch propõe chamar de “dêixis textual”) estabelece uma ordenação entre elementos textuais ou partes do texto, indicando a posição espacial ou temporal do enunciado que é referencializado. Por exemplo:

Leia, abaixo, um resumo do tema abordado no capítulo aterior.

A seguir, exporei as razões pelas quais venho reclamar dos serviços prestados.

Pode-se incluir entre os sinalizadores textuais que indicam posição anterior, remissões com função distributiva. Por exemplo: Os tons azulados e róseos são usados nas paredes externas e internas, respectivamente.

A progressão do texto pode se dar sem remissões ou recorrências; ou efetivar-se através da coesão sequenciadora cujos mecanismos dizem respeito a recorrências de ordem vária: de palavras ou expressões, de tempos verbais, de estruturas (paralelismo), de conteúdos semânticos (paráfrase), de elementos fonéticos ou prosódicos (aliteração, assonância, rima, similicadência ou paralelismo sonoro). Por exemplo:

a) Quando era criança, eu tinha um cachorrinho gordo e peludo. Esse cãozinho chama-se Bolinha. Seu nome correspondia à sua aparência. Rechonchudo, ele acabava por deslizar rolando, quando tentava correr.

b) Enquanto uns prosperam, outros retrocedem. Enquanto uns se modernizam, outros se tornam anacrônicos. Enquanto uns vicejam, outros fenecem.

A sequenciação textual realiza-se através de recursos como a seleção de campos lexicais, o inter-relacionamento entre dois ou mais campos em face da produção de certos efeitos de sentido, os variados tipos de articulação tema-rema e o encadeamento ou conexão.

Língua Oral e Língua Escrita

Há quem considere que a fala corresponda a uma escrita cheia de erros e que a escrita corresponda a uma fala com menos recursos de expressão. Tais julgamentos estão completamente equivocados. Trata-se a fala e a escrita de duas maneiras diferentes de manifestação da língua, cada uma delas possuindo suas características, suas regras e seus recursos próprios. Por serem distintas, precisam receber tratamentos diferenciados, para que cumpram, adequadamente, suas funções linguísticas, discursivas e comunicativas.


Às diferenças entre a língua oral e a escrita correspondem determinadas consequências de ordem teórica e/ou pragmática. São as seguintes as principais distinções entre uma e outra, correlacionando-se às consequências a seguir:


A fala remonta à própria origem do homem; enquanto a escrita é recente – os sistemas escritos mais antigos datam de seis mil anos; havendo quem considere a escrita da Suméria, de há três mil anos, como a primeira (cf. Cagliari, L.C. Diante das letras. Campinas, Mercado das Letras, 1999). Desse modo, a fala é anterior à escrita, possuindo um caráter universal, isto é, todos os povos falam. A fala é espontânea, sendo adquirida pelo indivíduo tão-somente pelo contato com a sua comunidade linguística. Já a escrita não é universal: há povos que não a conhecem. A escrita requer aprendizagem, sem o que não desabrocha espontaneamente. Uma leitura eficiente deve recuperar as qualidades da fala, as quais a escrita representa através de sinais de pontuação, entre outros recursos.


Na língua oral há mais inovação e tendência à diversidade lingüística – faz-se largo uso das variantes linguísticas: dos falares regionais, coloquiais, gírios, etc. Na escrita há mais conservação e tendência à unificação da língua. Como consequências dessas distinções, observa-se que é através da fala que a língua evolui, adaptando-se às necessidades de comunicação das comunidades de falantes. E é através da escrita que se mantêm os padrões tidos como cultos. Na realidade, não existe codificação escrita dos diversos falares, apenas da língua padrão, daí porque, nessa modalidade da língua, faz-se uso limitado das variantes linguísticas.

A fala envolve interlocutores que se situam em interação num mesmo espaço de tempo; o que normalmente não ocorre na escrita. Assim, na interação face a face, havendo qualquer dúvida, os interlocutores podem saná-la de pronto; o que não se passa entre o leitor e o escritor. Por esse motivo, quem escreve deve imaginar-se no lugar do leitor, procurando construir sua mensagem da forma que julgar mais clara, supondo os equívocos que seu texto possa originar, com o fito de desfazê-los, se, de fato, desejar ser compreendido.

Via de regra, durante o ato de fala, os interlocutores situam-se num mesmo espaço físico. Já a escrita pressupõe interlocutores situados à distância. Daí resulta que, em se tratando de língua oral, os interlocutores podem ver, ouvir, tocar, cheirar, etc. as coisas e os seres que fazem parte do contexto externo à fala, não necessitando, pois, recriar esse contexto situacional através da língua falada. Eles podem, ainda, perceber as reações às suas palavras, contando com a oportunidade de reformulá-las para se fazerem compreendidos. O leitor, diversamente, não poderá perceber o contexto situacional da escrita, a não ser que esse contexto seja recriado internamente ao texto por obra da descrição do escritor. E, como o escritor não poderá reformular o que disse, deve imaginar as reações de seu leitor, para expressar-se de modo mais eficaz.


Na língua falada, a memória é fundamental, uma vez que o ato de fala só dura o tempo de sua enunciação. Quanto à escrita, a memória não é importante, pois tudo o que é dito fica gravado, podendo ser recuperado pela leitura. Consequentemente, na oralidade as contradições são menos aparentes. Os interlocutores podem mudar de assunto repentinamente, sem necessidade de introduzir de forma marcada o novo tema e ser ter de estabelecer conexões com os assuntos antes tratados – pelo contrário, o exagero na busca de laços coesivos tende a tornar a conversa monótona. Por seu turno, na língua escrita, as incoerências ficam mais evidentes – sempre se pode ler o que foi dito anteriormente -, sendo aconselhável, por isso, que o escritor releia o que já escreveu. Como as partes de seu texto deverão estar interligadas, o escritor não deve abandonar o que vem dizendo e passar bruscamente para outro tema.

A língua oral tende à prolixidade; enquanto a escrita tende à concisão. Na fala geralmente ocorrem repetições com a finalidade de precisar o sentido de expressões, de enfatizá-las, ampliar-lhes o sentido, ou ainda para que o locutor mantenha o turno da palavra. Na escrita, as repetições e longas ou constantes digressões costumam tornar o texto enfadonho e obscuro.

Links sugeridos para aprofundar a pesquisa e para atualizá-la:

1) Breve nota sobre a obra organizada por Inês Signorini, Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2001.

2) Tese de doutorado de Sheila Oliveira Lima, Leitura e oralidade: as inscrições do desejo no percurso de formação do leitor. Faculdade de Educação-USP, 2006.


4) Tese de doutorado de Denise Durante,  Entre a fala e a escrita: a representação da oralidade como estratégia argumentativa em anúncios publicitários. FFLCH-USP, 2009.


Assista, no vídeo a seguir, a um debate promovido pela TV Brasil, a propósito do polêmico livro adotado pelo MEC, o qual incorpora variantes linguísticas e, pois, a fala e a escrita:

Gramática Normativa e Gramática Intuitiva










O termo gramática possui conceituações distintas. Do ponto de vista do sistema linguístico – como o entendeu Saussure, com as retificações da Linguística contemporânea -, trata-se do conjunto de regras fonéticas, morfológicas, sintáticas, semânticas, pragmáticas e discursivas de que se constitui determinada língua. Essa gramática, que incorpora elementos de ordem funcional, variáveis no tempo, no espaço e nas situações de interação linguística - numa concepção