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segunda-feira, 2 de maio de 2011

História e significado do 1º de Maio: vídeo e textos

Operários (1933) - pintura de Tarsila do Amaral

No vídeo que segue, temos a História e o significado do 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, comemorado no mundo todo e ligado a manifestações dos trabalhadores por suas causas. Veja a seguir, outro vídeo e textos sobre esta histórica data:

Maio, Nosso Maio from farid|nara|gunga on Vimeo.

1º de Maio em Cordel, Nando Poeta:

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Educação que torna o aluno sujeito politizado

Reproduzimos, com adaptações, interessante artigo de divulgação científica de Glenda Almeida, da Agência USP de Notícias, intitulado Adolescente que conhece suas origens é agente político, publicado em 2/12/2010:

Alunos que não são ensinados a relacionar o conteúdo dos livros à história de sua própria comunidade não se sentem pertencentes à humanidade, facilitando a aceitação de rótulos e estigmas como o de “favelado qualquer”.

Pesquisa da psicanalista Maíra Ferreira, realizada na Faculdade de Educação (FE) da USP, demonstrou que é possível mudar esse quadro através do uso de elementos do cotidiano dos alunos, como a música, a poesia e os desenhos, para que eles possam reconhecer elos com seus antepassados. Desse modo, tornam-se capazes de se afirmarem como verdadeiros sujeitos políticos “da sociedade” e “na sociedade”.

Em sua dissertação A rima na escola, o verso na história: um estudo sobre a criação poética e a afirmação étnico-social em jovens de uma escola pública de São Paulo, Ferreira aponta a escravidão como a “barbárie brasileira”, cujas consequências ainda subjugam a sociedade, principalmente quando o assunto é pobreza, discriminação e afirmação étnico-social.

No início de seu trabalho na escola pública da favela Real Parque (São Paulo/SP), Ferreira percebeu que, nos horários vagos entre as aulas, os adolescentes, amantes do rap, rimavam, improvisavam e desenhavam com muita facilidade, demonstrando capacidade crítica, inclusive em relação aos temas escolhidos em suas artes. Além disso, o dom da oralidade também chamou atenção da pesquisadora. Contudo, ao mesmo tempo em que apresentavam tão rica manifestação cultural, recusavam suas origens no ambiente escolar.

Segundo Ferreira, essa recusa denuncia a “presença e permanência de políticas discriminatórias brasileiras desde a época dos cativeiros”. A escola, ao não reconhecer e contextualizar a importância da história da comunidade que atende, e não a relacionando com o presente dos alunos, “perpetua a formação social e cultural do preconceito brasileiro”.

Os estudantes da Favela Real Parque são herdeiros culturais de famílias afro-brasileiras e indígenas Pankararu, oriundas do sertão de Pernambuco, que migraram a partir da década de 1950 para São Paulo, principalmente para trabalharem na construção do Estádio do Morumbi. Tendo em vista essa origem dos alunos, a pesquisadora procurou pelas possíveis relações entre a capacidade de rimar e improvisar do rap, e as produções culturais do cordel e dos repentes nordestinos.

Registros da viagem de Ferreira ao Nordeste, onde conheceu o cordel e o repente:

Em busca dessas evidências de relação entre culturas, Ferreira para a região do Brejo dos Padres em Pernambuco, onde pesquisou o cordel e os repentes sertanejos, como a cantoria de viola e o coco de embolada, expressões claras da tradição da oralidade, tão marcante no rap dos estudantes.

Com uma filmadora na mão, a pesquisadora andou pelas ruas nordestinas ouvindo e gravando declamações espontâneas: improvisos poéticos de farmacêutico, sapateiro, manicure, dentista, padre, crianças e idosos. “Em uma cidade chamada São José do Egito (PE) ouvi o seguinte ditado: Aqui quem não é poeta é louco e quem é louco faz poesia”, disse a pesquisadora.

Vídeos da pesquisa de campo em São José do Egito, onde a poesia está em todos os lugares:


Segundo a psicanalista, mesmo diante da violência social, a miscigenação étnico-social brasileira apresenta sua resistência: “das rodas de jongos e capoeira aos improvisos dos repentes e do rap está o movimento de resistência, apropriação e criatividade frente às políticas de discriminação existentes desde a escravidão”. Essa constatação é a prova de que durante a história do País não houve aniquilação da cultura dos povos que sofreram com tais políticas, e sim recombinação, reinvenção, recriação, ou seja, está aí um outro tipo de “marca humana” — no caso, o desejo de construir e não o de destruir.

Contudo, a “atualidade da escravidão brasileira” ainda aparece no cotidiano do brasileiro. De acordo com a pesquisadora, “a formação social brasileira está longe de elaborar e superar esse trauma que permeia as instituições de ensino e os espaços jurídicos do país”. Para isso, é essencial e possível ensinar aos alunos que eles podem e devem “atualizar as suas tradições” a fim de se apropriarem do passado, para construírem seus projetos futuros.

Um dos alunos traduziu muito bem o pensamento de Maíra Ferreira: “Já sei, professora. É pegar carona na tradição”.

domingo, 12 de setembro de 2010

Cordel do Consumidor: leitura e variação linguística

O texto em parte transcrito a seguir foi distribuído em 2009, sob a forma impressa, como um libreto de cordel.  Na capa desse material, constam as armas do Brasil, seguidas das palavras Ministério da Justiça, Secretaria de Direito Econômico, Departamento de Proteção de Defesa do Consumidor. Mais abaixo, há a ilustração de uma feira, encimada pelas palavras Cordel do Consumidor, e finalizada pelos dizeres A FEIRA NORDESTINA.