O vídeo a
seguir inicia com coloridas e exóticas imagens dos índios na Rio+20, que
participaram dos eventos Kari-Oca e Cúpula dos Povos. Trata-se de fotos
exibidas ao país e ao mundo, como provas da “indianidade e sustentabilidade” do
Brasil. No, entanto, as imagens que a reportagem de Priscila Bartolomeu mostram
na sequência, apresentam o tratamento indigno e desdenhoso dados aos indígenas
brasileiros e estrangeiros durante o evento.
Longe das
câmeras e da atenção da grande mídia, os índios enfrentaram o desrespeito dos
organizadores do evento: condições de alojamento humilhantes, falta de água
para beber e para banho, alimentação estragada, falta de orientação e de
informações.
O desrespeito
aos índios também foi verificado pela cidade do Rio de Janeiro. Priscila
Bartolomeu relata que sofreram discriminação de garçons, que os atenderam sem
ao menos olhar no rosto, e de várias pessoas que demonstraram má-vontade em
prestar-lhes informações.
Priscila, em
seu blog, Fotografia Indígena,
relatando os problemas na alimentação, revela que chegaram a ficar na areia
da praia esperando comida até o final de tarde, quando foram servidas “marmitas sem talheres, para fazer a alegria
dos repórteres”. E o momento de grande tensão, quando os índios retiveram o
veículo da entrega do almoço, até que o proprietário da empresa contratada pelo
evento comparecesse para explicar porque as refeições foram armazenadas na
caçamba do carro, cobertas por um tapete, sob sol quente. “Várias marmitas
estavam estragadas e cheirando mal. Este dia subimos no palco e a revindicação
foi pública”, conta Priscila.

