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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pesquisadores descrevem novas espécies de peixes ornamentais na bacia do Xingu

Estudo científico, publicado na Scielo Brasil, descreve duas novas espécies de peixes ornamentais encontradas na bacia do rio Xingu. Segundo os pesquisadores, trata-se de peixes de muita procura no comércio aquariofilista internacional. Os peixes foram localizados na área da Volta Grande do Xingu, logo acima do local onde está sendo construída a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a chamada fall line, e a partir do Rio Iriri, maior afluente do rio Xingu.

A propósito, o blog Nature Planet esclarece que Altamira, o maior centro urbano próximo ao habitat dos peixes em questão, "é conhecida internacionalmente no comércio de peixes ornamentais, pelo seus Acaris ou Cascudos. São várias espécies de diferentes cores que atraem aquaristas do mundo todo, sendo comum vários clubes que visam criar e manter as espécies no hobby". E explica que, devido à construção da hidrelétrica, os peixes que dependem das corredeiras da fall line poderão deixar de existir.

Para informações sobre o rio Xingu, bem como sobre a UHE Belo Monte, clique neste link.

Veja também o pdf do Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Endêmicas e Ameaçadas de Extinção da Fauna da Região do Baixo e Médio Xingu, neste link. 

Fotos das novas espécies de peixes encontradas






Mapa da localização dos peixes









domingo, 17 de junho de 2012

O Xingu +23 conclama a todos para a resistência ao barramento e morte do rio Xingu


O movimento Xingu Vivo, em seu protesto denominado Xingu +23, divulgou uma declaração final na qual conclama pessoas, entidades e Estados a apoiarem a resistência à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Nessa declaração, informam que “diante dos atos de violação brutal do rio, das matas e dos povos que vivem em suas barrancas, denunciados nas assembleias do encontro e em uma audiência pública realizada na Universidade Federal do Pará – à qual, apesar de convidada, a Norte Energia não compareceu –, no dia 15, moradores da cidade realizaram uma marcha de protesto em Altamira, e os participantes do encontro libertaram um trecho do Xingu ao ocupar uma das ensecadeiras e abrir um escape para o rio”.

Assim termina do documento:

Nós, os participantes e apoiadores do Xingu +23, conclamamos o país e todos os representantes dos países que estarão na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio + 20 – a olhar para a Amazônia e evitar o crime cometido no coração da região pelo governo brasileiro com a hidrelétrica de Belo Monte. E afirma que, após 23 anos de resistência contra o barramento do Xingu, não haverá esmorecimento nem trégua na luta pela vida do rio e pelos direitos de seus povos.

Para ler a declaração na íntegra, clique em Declaração final do Xingu + 23

Foto: Criança da etnia Kayapó, do Xingu presente na Rio +20. Por Rayssa Coe/Comitê Intertribal

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Entrevista com o procurador esclarece impacto socioambiental de Belo Monte no Xingu - vídeo

No vídeo a seguir, de 16min14, o procurador do Ministério Público do Pará, Felício Pontes Jr., esclarece o impacto socioambiental que a Usina Hidrelétrica de Belo Monte poderá trazer às pessoas que moram na bacia do Xingu, na Amazônia.

Pontes inicia sua fala relatando o histórico do projeto da usina desde sua origem, na ditadura militar (quando a hidrelétrica se denominava Kararaô), passando pelos impedimentos que encontrou o governo FHC para implementar esse projeto (já chamado de Belo monte), ao irregular licenciamento durante o governo Lula, até o início da construção, no governo Dilma Rousseff.

O procurador destaca que, mesmo com a redução de cinco para apenas uma das barragens previstas no rio Xingu, Belo Monte continua a representar um impacto muito forte, com a morte da fauna do rio, deterioração da água e, consequentemente, das condições tanto de indígenas como de brancos que dependem desse recurso natural. Ele acredita que, em face das evidentes ilegalidades no processo de licenciamento da usina, o Supremo Tribunal Federal (STF) acabará por decretar a inconstitucionalidade da licença da obra, o que não foi levado em conta pelos desembargadores do Tribunal Federal Regional (TRF1), em recente julgamento de uma das 12 ações interpostas pelo Ministério Público do Pará contra Belo Monte.


Textos relacionados:
Entrevistas
Revista científica 

domingo, 24 de abril de 2011

Mito não é história: imagens distorcidas dos índios do Brasil

Tendo em vista a grave ameaça que sofrem os povos indígenas do Xingu, com a possível e iminente construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte - que já foi objeto de repúdio pela OEA, através de pressão exercida pela comunidade brasileira e internacional, e do empenho do Ministério Público do Pará -, decidimos republicar aqui texto originalmente publicado no jornal Sampa News, em 1991, o qual, a nosso ver, apesar de antigo, tem bastante pertinência em face dessa questão, que afinal de contas, foi levantada em 1975, durante a vigência do regime militar no país:

Em seu artigo Amazônia Brasileira - Preâmbulo a uma discussão antropológica da questão indígena (fotocópia de Revista da USP sem dados de referência), a antropóloga Renate B. Viertler lembra-nos de que os índios do Brasil não interessam à historiografia oficial do país. O que se procura difundir é a falsa ideia de que os remanescentes das populações indígenas do Brasil estejam assimilados, compondo o grande quadro geral da “cultura brasileira”. Viertler, no entanto, adverte-nos sobre a inveracidade desse tipo de discurso. A prática, a pesquisa de campo, revela que os grupos indígenas do Brasil resistem, preservando suas identidades étnicas através de uma grande variedade de processos sócio-culturais próprios.

O fato é que essas falácias prestam-se para ocultar a ideologia imperialista dos “civilizados” e negar a existência  de agudos conflitos entre “civilizados” e indígenas, no passado e no presente.

No que diz respeito aos livros didáticos adotados nas escolas de ensino público de todo o país - e também nas instituições particulares -, o indígena é tratado como elemento genérico, omitindo-se as diversidades culturais existentes entre os diferentes grupos tribais.