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sábado, 9 de outubro de 2010

Como escrever pela nova ortografia

Observamos que muitas das pessoas que buscam orientação sobre a grafia de palavras formulam perguntas como “na nova ortografia ... tem acento” ou “... tem hífen na nova ortografia”, como, por exemplo:  “na nova ortografia assembleia tem acento”, “infraestrutura leva hífen na nova ortografia”.

Para fazer esse tipo de consulta, basta digitar a palavra desejada no campo de pesquisa do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), do FLIP (que tem opções para a antiga e a nova ortografia, do Brasil ou de Portugal), ou da Infopédia (de Portugal).

No caso de pesquisa no VOLP, ressaltamos que esse vocabulário ignora palavras compostas que não tinham hífen e palavras que perderam o hífen na nova ortografia. Assim, ao se pesquisar, por exemplo, por conta corrente (que não tinha hífen e passou a tê-lo) ou por dia-a-dia (que perdeu o hífen), aparecerá uma mensagem informando que nenhuma palavra não foi encontrada. Nesse caso, pode-se pesquisar por conta-corrente e dia a dia, que o VOLP retornará a classe gramatical das palavras, considerando-as corretamente grafadas.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Converter Textos da Antiga para a Nova Ortografia Online

Para fazer a conversão de textos para a nova ortografia, em português do Brasil ou em português de Portugal, clique aqui.

Pode-se converter, a cada vez, textos com até 3.000 caracteres.

domingo, 30 de agosto de 2009

O acento circunflexo (chapeuzinho) e o grave (crase) - nova ortografia

Conforme a nova ortografia, o acento circunflexo foi eliminado nos seguintes casos:
  • nas palavras com ÔO, por ex., enjÔO > enjOO, vÔO > vOO
  • nas palavras com ÊE, por ex., crÊEm > crEEm, vÊEm (ver)> vEEm
  • na palavra pÊlo (= cabelo), por ex., cortou o pElo da barba.

Continua nos demais casos da ortografia anterior, por ex., em:

  • tÊm (Ele tEm amigos, eles tÊm dinheiro.)
  • vÊm (Ele vEm aqui e eles também vÊm.)
  • pÔr (Vou pÔr um chapéu e vou pOr ali.)
  • pÔde (Ele não pÔde sair ontem; agora pOde.)

Ele é facultativo em:

(em Portugal) dÊmos, por ex., talvez dÊmos uma olhada lá (para diferenciar de Ontem dEmos uma olhada lá).
  • fÔrma, por ex., a fÔrma do bolo está suja (para difenciar de O bolo tem a fOrma de coração).
O acento grave, que sinaliza a crase, manteve-se inalterado na nova ortografia.

Somos favoráveis às leis populares e contrários àquelas que prejudicam os mais fracos.

sábado, 18 de julho de 2009

Nova Ortografia – VOLP (download) - VOLP online

O VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) não poder ser baixado, mas está disponível para consulta online, clicando-se aqui.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) publicou, em pdf, uma errata da edição 2009 do VOLP .

Essa lista de palavras que foram publicadas incorretamente pode ser baixada em:

www.academia.org.br/abl/media/Encarte_VOLP_5_Edicao_web.pdf

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Crítica ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

Carlos Alberto Faraco (UFPR), em seu artigo O Vocabulário Ortográfico (VOLP) da ABL, publicado na oitava edição da revista Linguasagem, faz uma dura crítica à publicação unilateral (só brasileira) do Vocabulário Ortográfico. Para Faraco, esse acontecimento, além contrariar o espírito do Acordo de “concertação política, econômica, cultural e linguística dos oito países, sugere, nas atuais circunstâncias, uma atitude eivada de autoritarismo e soberba”.

Faraco alerta para o fato de que a “ABL parece não ter se dado conta de que, desde a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estamos vivendo um novo tempo na gestão das questões que envolvem a língua portuguesa. [...] Não cabe mais olhar para a língua numa perspectiva apenas nacional. É preciso pensá-la como uma língua internacional e patrimônio coletivo dos oito países que a tem como oficial.”

O professor nos lembra de que o “Estado brasileiro, ao tempo do presidente Getúlio Vargas, abriu mão de suas responsabilidades na gestão da ortografia da língua, transferindo essa tarefa para uma instituição privada (a ABL), transferência que a Lei n. 5.765/71 reforçou. Contudo, a articulação política internacional que redundou na criação da CPLP traz, para o Estado brasileiro, o desafio de tomar de volta para si a tarefa anteriormente privatizada e conduzi-la de comum acordo com os demais países. No plano internacional, só um órgão do Estado pode falar pelo Estado brasileiro, jamais uma entidade privada.”

Para ler o texto integral desse artigo, clique em:

http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao08/artigos_ea_faraco.php

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dicionários Digitais Online

Entre os melhores dicionários de língua portuguesa para consulta on-line, encontram-se os seguintes:

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa - de Portugal, com cerca de 90 mil entradas, permitindo a livre consulta de definições, contendo conversor para a nova ortografia, conjugador de verbos e tradutor para espanhol, francês e inglês.

Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa - com mais de 200 mil verbetes, traz a etimologia da palavra, detalhando sua origem e formação, atualizado com neologismos, gírias e regionalismos. Na página da internet em que esse dicionário se encontra, há links para dicionários Michaelis bilíngues e para tópicos de gramática, como regras de acentuação gráfica (antiga ortografia), emprego da crase, emprego dos sinais de pontuação, além de listas de pronomes de tratamento, de coletivos, de verbos referentes a vozes de animais e outros sons, de expressões usuais do latim e de outras línguas. 

iDicionário Aulete da língua portuguesa - com mais de 818 mil verbetes, definições e locuções em permanente atualização. Um dicionário de crescimento infinito, sempre em interação com a língua portuguesa. 




domingo, 19 de abril de 2009

Divisão de Sílabas no Acordo Ortográfico

Regra geral: Faz-se a divisão silábica pela soletração (bi-sa-vó, ca-cho, de-sa-pa-re-cer, hi-pe-ra-cús-ti-co, ma-nha, ó-xi-do, su-bo-cu-lar) e, por isso, não se tem de atender à etimologia.

1º) São indivisíveis no interior de palavra, formando sílaba para a frente, as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, isto é, as sucessões em que a primeira consoante é b, c, d, f, g, p, t ou v e a segunda um l ou um r:

du-blar, lem-brar, du-plo, re-pro-var; a-cli-ve, de-cre-to, de-glu-tir, re-gra, a-tle-ta, cá-te-dra, me-tro; a-flo-rar, Á-fri-ca, ne-vro-se.

Exceção: compostos cujos prefixos terminam em B ou D: sub-lunar, ad-ro-gar (em vez de su-blu-nar, a-dro-gar).

2º) São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente grupos e igualmente as sucessões de m ou n, anasalados, e uma consoante:

ab-dicar, op-tar, ab-soluto, ad-jetivo, af-ta, íp-silon, ob-viar; des-cer, ac-ne, ad-mirável, Daf-ne, diafrag-ma, ét-nico, rit-mo, sub-meter, am-nésia, cor-roer, as-segurar, bissex-to, ex-citar, infeliz-mente; am-bição, desen-ganar, en-xame, man-cha.

3º) As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, nasalados, e duas ou mais consoantes são divisíveis e:

a) se nelas entra um dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito 1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior:

cam-braia, ec-tlipse, em-blema, ex-plicar, in-cluir, ins-crição, subs-crever, trans-gredir

b) se nelas não entra nenhum desses grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante:

abs-tenção, disp-neia, inters-telar, lamb-dacismo, sols-ticial, Terp-sícore, tungs-tênio.

4º) As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes podem separar-se se a primeira delas não é u precedido de g ou q. O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais:

ala-úde, áre-as, co-ordenar, do-er, flu-idez, perdo- as, cai-ais, ensai-os, flu-iu.

Obs.: As vogais de ditongos decrescentes nunca se separam:

ai-roso, cadei-ra, insti-tuião, sacris-tães, traves-sões

5º) gu e qu nunca se separam da vogal ou ditongo imediato:

ne-gue, ne-guei; pe-que, pe-quei, á-gua, ambí-guo, averi-gueis; longín-quos, lo-quaz, quais-quer.

6º) Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, por clareza gráfica, deve-se repetir o hífen no início da linha imediata:

ex- -ministro, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante


sábado, 18 de abril de 2009

VÍDEO EDUCATIVO - NOVA ORTOGRAFIA

Esse vídeo enfatiza as principais mudanças relativas à acentuação gráfica e ao hífen, através de imagens graciosas, com um bonequinho apresentador. Indicado para o ensino nos vários níveis.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

VÍDEO SOBRE A NOVA ORTOGRAFIA


O vídeo Dona Philomena e as reformas ortográficas é interessante para alunos do ensino fundamental e médio.
Ele narra a história da ortografia no Brasil.

Material sobre a Nova Ortografia - Links

Seguem links de material para download sobre a nova ortografia.

1) Guia da Reforma Ortográfica (Museu da Língua Portuguesa/FMU) - apresenta um histórico das reformas ortográficas e dados sobre a nova ortografia, com algumas ilustrações:

· http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/docs/200904-guia.pdf


2) Manual da Nova Ortografia (Editora Ática):

· http://www.atica.com.br/novaortografia/manual_nova_ortografia.pdf


3) Folheto sobre as novas regras de acentuação, material ilustrado e criativo, indicado para as últimas séries do ensino fundamental e para o ensino médio:

· http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/docs/200904-folheto.pdf


4) Algumas considerações sobre o acordo ortográfico. Artigo de Geraldo Cintra contendo bibliografia com links para opiniões contrárias à nova ortografia:

· http://www.fflch.usp.br/eventos/simelp/new/pdf/mes/07.pdf

sábado, 11 de abril de 2009

Já é obrigatório usar a nova ortografia?



Atualização (28/12/2012): Atenção! O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade do uso da nova ortografia. Clique aqui para ler a notícia.

De acordo com a Academia Brasileira de Letras (ABL), órgão a quem compete a palavra final em termos de ortografia, apenas em casos expressos é obrigatório o uso da nova ortografia. Até o final de 2012, tanto a nova quanto a antiga ortografia serão consideradas corretas.

Assim, não é preciso que todas as mudanças (que não são muitas no português do Brasil) sejam assimiladas de uma vez.

Caso diferente é o de pessoas que vão prestar concursos ou vestibulares. Devem ficar atentas às instruções do edital ou manual do candidato, para saberem se a instituição exigirá o conhecimento da nova ortografia.

Também devem se adequar às mudanças os professores do ensino fundamental e médio.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

PALAVRAS COM HÍFEN E SEM HÍFEN

Já se pode consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), para saber a nova ortografia das palavras. Clique aqui.

Segue uma lista de palavras, de acordo com a nova ortografia, quanto às quais costuma haver dúvidas relacionadas ao hífen:

Letra A

a fim de
à queima-roupa
à toa
à vontade
abaixo-assinado (documento) abaixo assinados (signatários)
ab-rupto e abrupto
acerca de
aeroespacial
afro-brasileiro
afrodescendente
agroindústria
água-de-colônia
além-mar
amor-perfeito
anglo-saxão
ano-luz
antessala
antiaderente
antieconômico
anti-herói
anti-higiênico
anti-infeccioso
anti-inflamatório
antirrepublicano
antissemita
antissocial
ao deus-dará
arco-íris
autoadesivo
autoafirmação
autoajuda
autodidata
autoescola
autoestima
autoestrada
auto-hipnose
ave-maria
azul-marinho

Letra B

bem-amado
bem-aventurado
bem-criado
bem-dito (de dizer) e bendito (abençoado)
bem-dizer
bem-estar
bem-falante
bem-humorado
bem-me-quer
bem-te-vi
bem-vestido
bem-vindo
benfeito
benfeitoria
benquerer
benquisto
bico-de-papagaio (planta) e bico de papagaio (na coluna)
biorritmo
biossocial
blá-blá-blá
boa-fé
bumba meu boi

Letra C

café com leite
cão de guarda
carboidrato e carbo-hidrato
causa-mortis
circum-navegação
coabitar
coautor
cobra-d'água
coedição
coeducação
coenzima
coexistir
coirmão
conta-gotas
contra-ataque
contracheque
contraexemplo
contraindicado
contraoferta
contrarregra
contrassenso
coobrigação
cooptar
cor de café com leite
cor de vinho
cor-de-rosa
couve-flor
criado-mudo

Letra D

decreto-lei
dente-de-leão
desumano
deus nos acuda
dia a dia

Letra E

em cima
embaixo
euro-asiático
eurocêntrico
ex-diretor
ex-presidente
ex-primeiro-ministro
ex-marido
extraclasse
extraescolar
extrafino
extraoficial

Letra F

faz de conta
fim de século
fim de semana

Letra G

geofísica
geo-história
giga-hertz
girassol
grã-fino
grão-duque
Grão-Pará
guarda-chuva
guarda-noturno
Guiné-Bissau

Letra H

habeas-corpus
hidroelétrica e hidrelétrica
hidrossolúvel
hidroterapia
hipermercado
hiper-realista
hiper-refinado

Letra I

indo-chinês (da Índia e China)
indochinês (da Indochina)
indo-europeu
infra-assinado
infraestrutura
infrassom
inter-hemisférico
interpessoal
inter-regional
inter-relacionado
intramuscular
intraocular
intrauterino
inumano

Letra J

joão-de-barro
joão-ninguém

Letra L

latino-americano
luso-brasileiro
lusofonia

Letra M

macroestrutura
macrorregião
madressilva
mãe-d'água
má-fé
mais-que-perfeito
mal de Alzheimer
mal-acabado
malcriado
mal-entendido
mal-estar
malgrado
mal-humorado
mal-informado
má-língua
malmequer
malpassado
malvisto
mandachuva
maria vai com as outras
médico-cirurgião
mesa-redonda
microcirurgia
microempresa
microestrutura
micro-ondas
micro-organismo
microssistema
minissaia
minissérie
multisseriado

Letra N

não adepto
não fumante
não me toques (melindre)
não-me-toques (planta)
não oral
neoafricano
neoexpressionista
neo-ortodoxo
norte-americano

Letra O

olho-d'água

Letra P

pan-americano
pan-hispânico
para-brisa
para-choque
para-lama
paraquedas
paraquedismo
para-raios
pingue-pongue
plurianual
polivitamínico
por isso
porta-aviões
porta-retrato
porto-alegrense
pós-graduação
predeterminado
preencher
pré-escolar
preexistir
pré-história
pré-natal
pré-nupcial
pré-requisito
pressupor
primeiro-ministro
primeiro-tenente
proeminente
pró-reitor
pseudoprefixo
psicossocial

Letra Q

quarta-feira
quinta-feira

Letra R

reabilitar
recém-casado
recém-nascido
reco-reco
reedição
reeleição
reescrever
reidratar
ressocializar
retroalimentar
reumanizar

Letra S

sala de estar
segunda-feira
sem-cerimônia
semiaberto
semianalfabeto
semiárido
semicírculo
semi-interno
sem-número
sem-vergonha
sexta-feira
sobreaquecer
sobre-elevação
sobre-estimar
sobre-humano
sobrepor
sociocultural
socioeconômico
sócio-histórico
subalimentado
subalugar
subaquático
subemprego
subestimar
subdiretor
sub-humano
subfaturar
sub-reitor
sub-rogar
sul-africano
superestrutura
super-homem
super-racional
super-resistente
suprarrenal
suprassumo

Letra T

tenente-coronel
tico-tico
tia-avó
tique-taque
tomara que caia

Letra U

tenente-coronel
terça-feira
tico-tico
tia-avó
tique-taque
tomara que caia

Letra V

vaga-lume
verbo-nominal
vice-almirante
vice-presidente
vice-rei
vira-casaca

Letra X

xique-xique (chocalho)
xiquexique (planta)

Letra U

zás-trás
zé-povinho
zigue-zague
zum-zum-zum

E-mail para contatos: lelovni@yahoo.com.br

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Acordo Ortográfico Tem Significado Político

O significado político do Acordo Ortográfico é tratado com lucidez e profundidade no artigo de um dos mais respeitáveis linguistas do país, o Prof. Dr. José Luiz Fiorin, da USP. Intitulado O Acordo Ortográfico: uma Questão de Política Lingüística, esse artigo foi publicado na 4ª edição da revista eletrônica Linguasagem, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Abaixo transcrevemos parte desse texto, que interessa de perto aos professores de Língua Portuguesa (os grifos são nossos):

[...] Nos últimos tempos, diferentes manifestações têm surgido sobre o assunto e mesmo pessoas consideradas especialistas na matéria têm incidido em uma série de equívocos. É preciso afastá-los para evitar que eles toldem nossa apreciação desse objeto.

O primeiro é que se está fazendo uma unificação da língua portuguesa. Isso não é verdade. [...] O que se pretende unificar é a escrita e não a língua, que varia de região para outra, de um grupo social para outro, de uma situação de comunicação para outra, de uma faixa etária para outra. A variação é um fenômeno inerente à língua, porque a sociedade em que ela é falada é heterogênea. É impossível uniformizar a língua. [...]

Muitos dos que se puserem contra o acordo, principalmente em Portugal, diziam estar defendendo a língua portuguesa. A revista VEJA de 12 de setembro de 2007 publicou um artigo que versava basicamente sobre a reforma ortográfica. Uma afirmação deve dele ser destacada: “o português pode ser transformado por um acordo ortográfico” (p. 88) A idéia de que a ortografia pode “corromper” a língua é um equívoco, porque se funda na noção de que a ortografia é um elemento central da organização das línguas. [...] a ortografia é uma convenção por meio da qual se representam as formas faladas da língua. Isso significa que nenhuma mudança ortográfica representa transformação da língua.

Os que defendem o acordo dizem que a simplificação da ortografia vai levar os estudantes a redigir melhor. É um engano. Os erros de ortografia, embora chamem muito a atenção, constituem o elemento mais fácil de ensinar no processo de aquisição da modalidade escrita da língua e, ao mesmo tempo, o menos importante dos problemas de redação. O verdadeiro problema é que os períodos tenham uma articulação sintática adequada, que os textos tenham clareza, coerência, coesão, etc.

Outro equívoco é que a reforma é muito tímida, dever-se-ia fazer uma mudança radical no sentido de simplificar a ortografia e aproximá-la da maneira como falamos. Na verdade, aqui há dois erros. Primeiramente, não se está fazendo propriamente uma reforma ortográfica e sim um acordo de unificação ortográfica e, portanto, ele atinge basicamente os pontos de divergência das duas ortografias e não faz uma reforma profunda na maneira de grafar as palavras. Depois, enganam-se os que pensam que se pode escrever como se fala, pois a pronúncia varia, por exemplo, de região para região dentro de cada país e, por isso, não se pode grafar tal como se fala. [...] Podia-se fazer reforma ortográfica radical até o início do século XX. Depois disso, com a alfabetização de quase toda a população e com o crescimento das bibliotecas, dos acervos, etc. não se pode mais pensar em alterar totalmente a ortografia.

Outro erro sobre o acordo é que ele, de fato, não unifica a ortografia. Como disse um conhecido professor de português, é “uma reforma meia-sola”. Os que afirmam isso se fundamentam no fato de que o tratado permite dupla ortografia nos casos em que no Brasil se acentua com acento circunflexo e em Portugal, com acento agudo, refletindo a diferença de timbre fechado e aberto [...] Afirmar que não houve a unificação é um erro porque as duas grafias passam a ser corretas no território da lusofonia. [...] com muita sabedoria, unificou-se, respeitando-se a diversidade de pronúncia refletida em formas históricas de grafar. Além disso, o princípio da dupla grafia existe já no sistema ortográfico brasileiro. [...] O princípio da dupla grafia não é uma invenção do atual acordo ortográfico.

O acordo apresenta vários problemas técnicos, que devem ser discutidos. No entanto, seu alcance não é propriamente lingüístico, mas político e, assim, ele deve ser analisado. Trata-se de uma decisão de política lingüística dos países lusófonos. [...]


Uma última observação deve ser feita. Uma língua não é um mero instrumento de comunicação, mas tem funções simbólicas muito importantes no seio de uma sociedade. É vista, por exemplo, como fator de unidade nacional, como ponta de lança da invasão cultural, etc. Uma política lingüística diz respeito muito mais às funções simbólicas da língua do que a suas funções comunicativas. Não são as necessidades reais de comunicação que pesam na definição de uma política lingüística, mas considerações políticas, sociais, econômicas ou religiosas.


Os séculos XVIII a XX marcam a criação das nações. A atual etapa do capitalismo exige a criação de entidades transnacionais. Uma dessas organizações é a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o espaço da chamada lusofonia. Essa entidade transnacional tem escassas chances de se transformar num espaço econômico, de livre circulação de bens. Isso se deve ao fato de que o Brasil pertence ao MERCOSUL e Portugal, à União Européia. Veja-se, por exemplo, a impossibilidade de um acordo entre o MERCOSUL e a União Européia. Por outro lado, pelos compromissos de Portugal com a União Européia, nossa comunidade nunca será um espaço de livre circulação de pessoas. Só pode ser uma comunidade política, cultural e lingüística. Para isso, é preciso construir uma identidade comunitária. Foi pensando nisso que se assinou o acordo de unificação ortográfica. Em seus considerandos, diz-se que o acordo “constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa”. É nesse contexto que o acordo deve ser visto, ele tem um alcance simbólico. Visa a afirmar, por meio da unificação ortográfica, uma unidade lingüística que emerge de uma grande diversidade, que é o símbolo da unidade essencial dos povos da CPLP.

Passamos mal pelo primeiro teste de construção de uma identidade lusófona: a ratificação e a implementação do acordo de unificação ortográfica. Há razões relacionadas à afirmação do português no mundo para essa unificação. Entretanto, para mim, isso é o que menos importa. O que é significativo é que o acordo é um instrumento político de construção de uma identidade comum. Mas o que houve? Completa indiferença no Brasil, onde o acordo foi tratado com desdém (“há coisas mais importantes do que isso”), quando não com chacotas, e um clima de beligerância em Portugal.

Os lingüistas têm graves responsabilidades no clima de confusão que se formou. Pasquale Cipro Neto disse (VEJA, 12/9/2007, p. 90), que, por aceitar dupla grafia de uma série de palavras, ela não unifica nada. Entretanto, essa característica da reforma, o acolhimento da diversidade, é exatamente seu ponto forte como instrumento de construção identitária.

Em Portugal, os argumentos para colocar-se contra o acordo foram de “manutenção da pureza da língua original” (argumento que não resiste à mais superficial análise dos fatos); “rechaço à brasilianização da ortografia”, ao “colonialismo dos ex-colonizados”, que pretendiam impor uma “humilhação estatística a Portugal: 1,4% de alterações para Portugal contra uns míseros 0,5% do Brasil” (O Estado de S. Paulo, 2/12/2007, J7). Apesar de figuras do mais alto significado nos estudos da linguagem em Portugal, como Malaca Casteleiro, Carlos Reis e Maria Helena da Rocha Pereira, se terem colocado a favor do acordo, o jornal Público, de 8/4/2008, trazia na página 3 o seguinte título: “Livreiros e lingüistas contra. Brasileiros, timorenses, ex-exilados e galegos, pró”. Vasco da Graça Moura esgrimiu os seguintes argumentos diante da Assembléia Nacional: 1) “o acordo serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento dos interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo, em especial do nosso país”; 2) “é uma lesão de um capital simbólico acumulado e de projecção planetária”; 3) “vai homogeneizar integralmente a grafia portuguesa com a brasileira (....) desfigurando a escrita, a pronúncia e a língua, que são nossas”. Não nego a complexidade da questão e os múltiplos interesses envolvidos no tema. Entretanto, a discussão do acordo revela nossa incapacidade de construir uma identidade lusófona. Os argumentos aparecidos em Portugal de preservação da pureza da língua, de não aceitação da diversidade, são comuns aos argumentos da extrema direita na defesa da identidade nacional. Revelam, ao mesmo tempo, um temor e um desdém pelo Brasil. No Brasil, a discussão deixa patente uma completa indiferença por Portugal.

Não temos, como estudiosos da linguagem, o direito de fomentar ódios, ressentimentos, fantasias nacionalistas. Não temos o direito de não perceber o que está em jogo numa questão como a do acordo de unificação ortográfica. O acordo tem problemas técnicos e eles devem ser mostrados e discutidos. Ele pode ser combatido pelos seus defeitos e não por suas qualidades (a própria idéia da unificação ortográfica e o acolhimento da diversidade), que dizem respeito à afirmação de uma identidade comum. Superar o nacionalismo e a xenofobia, que tanto infelicitaram o século XX, é uma ação importante.

Para que a lusofonia seja um espaço simbólico significativo para seus habitantes, para que seus membros tenham uma identidade lusófona, é preciso, no que diz respeito à língua, que seja um espaço em que todas as variedades lingüísticas sejam, respeitosamente, tratadas em pé de igualdade. É necessário que não haja a autoridade "paterna" dos padrões lusitanos. Evidentemente, a lusofonia tem origem em Portugal e isso é preciso reconhecer. Contudo, Portugal não pode pretender a hegemonia da legitimidade lingüística, desejo que fica visível nos argumentos dos que se puseram contra o acordo. No entanto, o que se espera na construção do espaço enunciativo lusófono é a comunidade dos iguais, que têm a mesma origem. Esse é o significado da afirmação de Caetano Veloso:


Minha pátria é minha língua
E eu não tenho pátria: tenho mátria
E quero frátria.


Não se pode esquecer que pátria e pai são formados da mesma raiz. A eles estava ligada a potestas (Benveniste, 1969, p. 217-218). A lusofonia não será pátria, porque não será um espaço de poder ou de autoridade. Será mátria e será fátria, porque deve ser o espaço dos iguais, que têm a mesma origem. Se assim não for, ela não terá nenhum significado simbólico real, será um espaço do discurso vazio, de um jargão político sem sentido.

O artigo integral do Prof. Fiorin se encontra disponível neste link.



segunda-feira, 30 de março de 2009

Aprender e Ensinar a Nova Ortografia - Passo 2 - Acentuação Gráfica

No Passo 1, vimos que o Acordo introduz três letras no nosso alfabeto: k, w, y. Elas não devem ser usadas para escrever palavras como kilograma ou kilômetro, sendo empregadas apenas em nomes estrangeiros e seus derivados, bem como em abreviaturas, como: kg, km, W (West – oeste), yd (yard – jarda). Podem ser usadas em enumerações de itens: j) ...; k) ...; l) ...; x) ...; w) ...; y) ...; z) ...

Agora vamos aprender as alterações da acentuação gráfica introduzidas pelo Acordo e complementadas pelo Vocabulário Ortográfico (VOLP).

Legenda da formatação de caracteres a qual usamos para distinguir os casos:

em negrito – exceções do VOLP
em negrito e itálico – exceções do Acordo
em itálico – novidades do Acordo

USO DO TREMA

Só se usa o trema em nomes estrangeiros.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS OXÍTONAS

Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da preposição por.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS

As palavras paroxítonas não são em geral acentuadas graficamente: enjoo, grave, homem, mesa, Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente.

Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia; coreico, epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia, hoia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias, etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina, heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina. EXCEÇÃO: destróier, Méier.

Obs.: Continuam os circunflexos, por ex.: blêizer, contêiner.

Recebem acento:

As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tônica, as vogais fechadas com a grafia a, e, o e que terminam em -l, -n, -r, ou -x, assim como as respectivas formas do plural, algumas das quais se tornam proparoxítonas.
EXCEÇÃO: iândom e rádom (novo acento – iândon já existia).

As formas verbais têm e vêm, 3ªs pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que são foneticamente paroxítonas, vêem, a fim de se distinguirem de tem e vem, 3ªs pessoas do singular do presente do indicativo ou 2ªs pessoas do singular do imperativo; e também as correspondentes formas compostas, tais como: abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detém), entretêm (cf. entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém), provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).

Assinalam-se com acento circunflexo:

a) Obrigatoriamente, pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), no que se distingue da correspondente forma do presente do indicativo (pode).

b) Facultativamente, fôrma (substantivo), distinta de forma (substantivo; 3ª pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ªpessoa do singular do imperativo do verbo formar).


Não se usa acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um E tônico oral fechado em hiato com a terminação -EM da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.

Também não se usa o acento circunflexo para assinalar a vogal tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc. EXCEÇÃO: herôon.

E não se usa o acento agudo nem o circunflexo para distinguir palavras paroxítonas que, tendo respectivamente vogal tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas. Assim, deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de per e la(s); pelo (é), flexão de pelar, pelo(s) (é), substantivo ou combinação de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.

DA ACENTUAÇÃO DAS VOGAIS TÔNICAS GRAFADAS

I E U DAS PALAVRAS OXÍTONAS E PAROXÍTONAS

Não se usa acento agudo nas vogais tônicas grafadas i e u das palavras paroxítonas, quando elas estão precedidas de ditongo: baiuca, boiuno, cauila (var. cauira), cheiinho (de cheio), saiinha (de saia).

Levam, porém, acento agudo as vogais tônicas grafadas i e u quando, precedidas de ditongo, pertencem a palavras oxítonas e estão em posição final ou seguidas de s: Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.

Obs.: Se, neste caso, a consoante final for diferente de s, tais vogais dispensam o acento agudo: cauim.


Os verbos aguir e redarguir prescindem do acento agudo na vogal tônica grafada u nas formas rizotônicas: arguo, arguis, (ele) argui, arguem; argua, arguas, argua, arguam. EXCEÇÃO: eu arguí.

Os verbos do tipo de aguar, apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir e afins, por oferecerem dois paradigmas, ou têm as formas rizotônicas igualmente acentuadas no U mas sem marca gráfica (a exemplo de averiguo, averiguas, averigua, averiguam; averigue, averigues, averigue, averiguem; enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxague, enxaguem, etc.; delinquo, delinquis, delinqui, delinquem; mas delinquimos, delin quis) ou têm as formas rizotônicas acentuadas fônica e graficamente nas vogais A ou I radicais (a exemplo de averíguo, averíguas, averígua, averíguam; averígue, averígues, averígue, averíguem; enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxágue, enxáguem; delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínqua, delínquam).

As demais regras de acentuação gráfica foram mantidas.

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Aprender e Ensinar a Nova Ortografia – Passo a Passo - Parte 1

O que o professor deve saber sobre a nova ortografia? Como ensinar as novas regras do hífen e da acentuação gráfica? Como ensinar crianças? Como ensinar alunos alfabetizados com a velha ortografia?

As questões acima são exemplos de dúvidas que se apresentam para professores de língua portuguesa nos diversos níveis. A partir de agora e nas próximas postagens, passaremos a dar orientações sobre o tema Aprender e ensinar a nova ortografia.

Em primeiro lugar, o professor deve tomar conhecimento do Acordo Ortográfico de 1990, com as alterações e suplementações feitas na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Nesse sentido, o primeiro passo é saber o conteúdo da Base I do Acordo:

DO ALFABETO E DOS NOMES PRÓPRIOS ESTRANGEIROS E SEUS DERIVADOS

1º) O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:
a A (á) - b B (bê) - c C (cê) - d D (dê) - e E (é) - f F (efe) - g G (gê ou guê) - h H (agá) - i I (i) - j J (jota) - k K (capa ou cá) - l L (ele) - m M (eme) - n N (ene) - o O (o) - p P (pê) - q Q (quê) - r R (erre) - s S (esse) - t T (tê) - u U (u) - v V (vê) - w W (dáblio) - x X (xis) - y Y (ípsilon) - z Z (zê).

Obs.:
1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos:
rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu (quê-u).

2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar.

2º) As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:

a) Em antropônimos (nomes de pessoas) originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, ftankliniano; Kant, kantistno; Darwin, darwinismo: Wagner, wagneriano, Byron, byroniano; Taylor, taylorista;

b) Em topônimos (nomes de lugares) originários de outras línguas e seus derivados:Kwanza; Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano;

c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-oeste (West); kg-quilograma, km-quilómetro, kW-kilowatt, yd-jarda (yard); Watt.

3º) Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que figurem nesses nomes:comtista, de Comte; garrettiano, de Garrett; jeffersónia/ jeffersônia, de Jefferson; mülleriano, de Müller; shakesperiano, de Shakespeare.

Os vocábulos autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, bungavília/ bunganvílea/ bougainvíllea).

4º) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se qualquer um desses dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.

5º) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e h mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropônimos e topônimos da tradição bíblica:Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.

Integram-se também nesta forma: Cid. em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calcem ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.

Nada impede, entretanto, que dos antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final: Jó, Davi e Jacó.

6º) Recomenda-se que os topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente.Exemplos: Anvers, substituíndo por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Justland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.

É importante frisar, aqui, que o Acordo trata de letras, portanto não há como pensar em quais seriam vogais ou consoantes. A classificação em vogais ou consoantes é dada aos fonemas (sons) das palavras, não cabe no que se refere às letras (representações escritas de sons). O professor também deve estar atento ao fato de que não se escreve kilograma ou kilômetro, apenas se usa a letra k nas abreviatura kg e km.

Até o próximo Passo.
Profª Sonia

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segunda-feira, 23 de março de 2009

NOVA ORTOGRAFIA: CRITÉRIOS DE ELABORAÇÃO DO VOLP

O VOLP E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

(Palestra de Evanildo Bechara, dia 17/03/2009, apresentada online no site da ABL.)

Quatro princípios metodológicos nortearam a elaboração da 5ª edição do VOLP:

Obediência ao Acordo de 90 (critério “acaciano”), daí se seguem regras gerais.

Leitura do Acordo de maneira mais ampla, daí se seguem regras específicas.

- OI e EI sem acento – porque há lugares da lusofonia onde o ditongo não é tão marcado.

Regra geral prevalece em: destróier, Méier (paroxítonos terminados em R).

- OO e EE sem acento – em 1945 não eram acentuados, em 1943 eram. O Acordo atual é mais próximo do de 45.

Regra geral prevalece em: herôon (paroxítono terminado em N). Suplementa o Acordo. Significa templo para cultuar heróis gregos e romanos.

- Problemas gerados pelo uso de etc. nas listas de exceções do Acordo – no VOLP, consideraram-se apenas as exceções explícitas mais o critério de os derivados seguirem a excepcionalidade dos originais. Exemplos: paraquedas > paraquedismo, girassol > girassolzinho, pontapé > pontapear.

- Quanto aos compostos, a tradição brasileira e lusitana não tem dúvida em aglutinar formas como abrolhos, passatempo, passaporte, valhacouto. Quando não houve coincidência, como em rega-bofe (Brasil) e rega bofe (Portugal), seguiu-se o critério de haver ou não elemento de ligação entre as palavras (substantivos, verbos, adjetivos): sem elemento de ligação vai hífen (rega-bofe, vaga-lume); com elemento de ligação não vai hífen (pé de galinha, ponto e vírgula).

Espírito imanente do Acordo (simplificação).

- As locuções adverbiais, adjetivas, pronominais, conjuncionais não eram hifenizadas, com exceção de uns cinco casos. Isso era difícil para o falante. Daí o hífen ter sido retirado de todas as locuções. Por ex.: dia a dia, à toa.

Problemas:

a)Onomatopéias – havia com e sem hífen. Dar nome a sons é semelhante a nomear as coisas (Saussure), daí se pode considerar a onomatopéia como o substantivo: substantivo sem elemento de ligação vai hífen, então em onomatopéia também vai, ex. reco-reco, cri-cri. Os derivados também deveriam seguir esse critério, mas, como a tradição não usava o hífen, o VOLP também não usa. Ex. cricrilar.

b)Locuções lexicalizadas (= valor de substantivo) – sem hífen. Ex.: maria vai com as outras.


Observar os VOLPs anteriores e, com base neles, suprir lacunas.

Vogais iguais – com hífen, para garantir a integridade de cada vogal, evitando-se a crase. Ex.: anti-ibérico. Mas, nos últimos cem anos da língua, não é normal haver a crase em REE e em COO, daí o VOLP supriu o Acordo, mantendo esses derivados sem hífen. Ex.: reeleição, cooperar.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

ESCLAREÇA DÚVIDAS SOBRE O USO DO HÍFEN E DOS ACENTOS GRÁFICOS

Na Nota Explicativa da 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), na qual a Academia Brasileira de Letras informa sobre os procedimentos metodológicos seguidos na elaboração dessa edição do VOLP, pode-se esclarecer questões polêmicas quanto ao uso do hífen e da acentuação gráfica. Por exemplo, saber que se usam ambas as formas carbo-hidrato e carboidrato e o acento em destróier.

Essas explicações se encontram no site da ABL, em arquivo pdf, procure em:

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=8707&sid=624

Para consultar o novo VOLP on-line, clique aqui.

CONFERÊNCIA DE BECHARA SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO (VÍDEO)

A conferência de Bechara pode ser vista através do seguinte link:

mais.uol.com.br/view/5538xakjh4b4/17032009--o-novo-acordo-ortografico-e-a-elaboracao-0402336CDCB98326?types=A&

No portal da Academia Brasileira de Letras, também se pode assistir aos vídeos das conferências promovidas pela ABL sobre o Acordo Ortográfico. Para tanto, deve-se seguir os seguintes passos:

1º) Acessar o portal da ABL: http://www.academia.org.br

2º) Posicionar o cursor sobre o campo MEMÓRIA DA ABL, no menu do portal.

3º) Clicar em: 2009.

4º) Clicar em: Conferências.

5º) Clicar em: O Acordo Ortográfico.

Pode-se assistir à conferência de Domício Proença Filho, "A história da ortografia e a ABL", além da conferência de Evanildo Bechara, "O Novo Acordo Ortográfico e a Elaboração do VOLP".

Cada uma das conferências tem a duração de uma hora.

AFINAL O LANÇAMENTO DO NOVO VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO - AGORA TAMBÉM ONLINE

Aconteceu no dia 19 de março, às 17h30min, no Petit Trianon, o lançamento da 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). O VOLP incorpora as normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico de 1990, regulamentado no Brasil por força de decretos assinados pelo Presidente Lula na ABL, no dia 29 de setembro de 2008, e já em vigor desde 1º de janeiro deste ano.

O volume tem 887 páginas e contém 349.737 vocábulos listados por ordem alfabética (com a classificação gramatical de cada um), além de cerca de 1500 estrangeirismos arrolados na parte final da obra.

Sandroni afirmou que, com o lançamento, “a Língua Portuguesa deixa para trás a condição de ser idioma cujo peso cultural e político ainda encontrava, na vigência de dois sistemas ortográficos oficiais, um entrave ao seu prestígio e difusão internacional”. Acrescentou, também, que “esta edição se apresenta aumentada em seu universo lexical, corrige falhas tipográficas e oferece informações ortoépicas sobre possíveis dúvidas resultantes do emprego de algumas das normas ortográficas”.

A ABL ainda apresentou texto de Nota Explicativa informando sobre os procedimentos metodológicos seguidos na elaboração dessa edição do VOLP. Sobre essa Nota Explicativa, o acadêmico Evanildo Bechara, coordenador da Comissão de Lexicografia e Lexicologia da ABL (integrada por ele e pelos acadêmicos Eduardo Portella e Alfredo Bosi), ressaltou a importância de que a opinião pública seja corretamente informada a respeito dos quatro princípios norteadores adotados pela ABL e que “garantem fiel compromisso aos propósitos dos signatários oficiais do Acordo”.

Os quatro princípios são os seguintes:

respeitar a lição do texto do Acordo;
estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo;
acompanhar o espírito simplificador do texto do Acordo;
preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores, quando das omissões do texto do Acordo.

quinta-feira, 5 de março de 2009

NOVA ORTOGRAFIA: CONSULTA AUTOMÁTICA E REGRAS


Para consulta automática do português do Brasil, clique no VOLP online.


Para pesquisa em português de Portugal, clique no Vocabulário Online da Editora Porto.