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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Povo Manxineru repudia falsas acusações em jornais do Acre

Foto: Tony Gross, 1979 (via https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Manchineri)


Povo Manxineru repudia falsas acusações em jornais do Acre. A principal fonte das matérias caluniosas é réu em processos por crime ambiental e difunde discurso de ódio contra os Manxineru e lideranças do povo Jaminawa.

Eis a nota de repúdio deste povo indígena:

"Nós, lideranças, professores, agentes de saúde, pais e mães de família e demais representantes do povo Manxineru declaramos o nosso repúdio às falsas acusações que foram levantadas contra nós em matérias veiculadas nos jornais O Acre Agora e AC 24 Horas. Sabemos bem que a pessoa que é a principal fonte das referidas matérias é réu em processos por crime ambiental e têm espalhado ameaças gratuitas contra nosso povo e também contra representantes do povo Jaminawa. Sabemos também que a área que ele nos acusa de invadir está sob embargo do Ibama e da Polícia Federal, porque essas pessoas não tem permissão legal para derrubar a mata e abrir campos de pasto, e não tem permissão para fazer esse ramal que eles insistem em abrir.

Nossos povos já viviam e cuidavam das florestas nessa região às margens do rio Iaco desde muito antes da chegada desse ou de qualquer outro fazendeiro. A área que ele falsamente alega que invadimos (a chamada Fazenda Senegal) foi trabalhada por nossos avós desde a época da chegada de Moisés de Souza e de Avelino Chaves, há mais de um século atrás. Se não fosse o trabalho de nossos parentes antigos, não haveria sequer a possibilidade desses brancos que agora nos acusam falsamente viver ou criar seus bois ali. Fomos nós que abrimos aquelas terras, quando éramos explorados pelos antigos patrões.

É mentira que andamos armados naquela região, pois sabemos muito bem que os nossos parentes que possuem espingardas só tem direito à posse para a caça de subsistência. Jamais ameaçamos qualquer pessoa, ao contrário do que faz agora esse que nos acusa. Nos perguntamos é se as armas com as quais essas pessoas nos ameaçam estão devidamente licenciadas. Eles sim andam armados, como afirmam nas referidas matérias jornalísticas. Eles tem o porte dessas armas? Ao ameaçar pessoas inocentes de maneira racista e preconceituosa eles estão de acordo com a lei?

Todos os moradores brancos mais antigos das Reserva Extrativista ou das áreas próximas à nossas terras indígenas nos conhecem bem e atestam a nossa boa índole. Temos boas relações com todo mundo que nos respeita e que respeita a legislação ambiental em nossa região. Esses forasteiros que vieram apenas explorar e degradar as florestas é que agora querem criar esse tipo de problema, justamente para esconder as ilegalidades e a destruição ambiental que estão promovendo.

Por tudo isso que expusemos, pedimos às autoridades competentes que tomem as devidas providências, no sentido de proteger a nossa honra, de proteger as nossas crianças e as nossas famílias. Os crimes de racismo e os crimes ambientais cometidos por essas pessoas não devem ficar impunes."

Fonte: https://www.twitlonger.com/show/n_1sr2kp6 via @tapecuim


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Freedom for Chief Babau and Teity immediately #LibertemBabauETeity


Freedom for Chief Babau and Teity immediately #LibertemBabauETeity. We request that Chief Babau and his brother Teity be immediately released.

Sign the petition here.

Subject: Arrest of Rosivaldo Ferreira da Silva (Chief Babau) and his brother José Aelson Jesus da Silva (Teity Tupinambá).

Yours Excellencies in Brazil:

We, organizations and people from and outside Brazil, request that Rosivaldo Ferreira da Silva and his brother, José Aelson Jesus da Sila (Teity Tupinambá), arbitrarily arrested by the end of the morning of April 7 by the Military Police (PM) of Bahia in the Olivença District, municipality of Ilhéus, for denouncing the illegal extraction of sand in and around a water spring, a protected area in the village of Gravatá, be IMMEDIATELY RELEASED because they did not commit any crime.

The brothers were victims of an ambuscade conducted by the Military Police (PM) of the Bahia state, after they denounced the environmental crime, that already resulted in an embargo by IBAMA (Brazilian Federal Environmental Agency). Besides, the Southern region of Bahia faces nowadays one of its worst water crises of its history where in towns such as Itabuna water for basic consumption, such as drinking and cooking is scarce.

According to the commander of the Police (PM), the two Tupinambá brothers were impeding the way-out of trucks, called caçambeiras, full with sand extracted inside the village. The judge Lincoln Pinheiro da Costa, of the Federal Court of Ilhéus, who conceded the decision in favor of displacing the Tupinambás from the Gravatá village on January 12. This decision, implemented on April 6, had already determined that the PM would escort the trucks. About one week ago, these escorts were being done by the PM; nevertheless the Tupinambas maintained the denunciation of environmental crime and counted on the embargo of IBAMA.

In spite of the fact that one day earlier, on April 5, a suspension of the judge's decision of displacement of the Tupinambás had been negotiated, the PM used all its force to displace the inhabitants of the village of Gravatá, forcing them to hide themselves in the forest and in neighboring villages. The same Military Police that had been giving support to the environmental crime arrested, later on, Chief Babao and his brother at the Federal Police office, alleging that they were carrying a revolver caliber 38 for exclusive use of the police. Chief Babau and Teitê denied that the armed guns were theirs, what indicates that the weaponry was forged with the intention to incriminate and criminalize the Tupinambá leaders.

Already for some time, Judge Lincoln Pinheiro da Costa of the Federal Court in Ilhéus has been acting in a way of assuring that non-Indigenous can extract sand from the Indigenous Tupinambá territory in Olivença. He caused discord with the Tupinambá is by adopting an attitude of wanting to intermediate the conflict between the indigenous and non-indigenous people, responsible for extracting sand from the spring. The proposal of the judge is that the indigenous people can remain in the village Gravatá, only if they do not impede the extraction of sand.

The recent history of violence by the State against the Tupinambá is big, both from the big farmers as well as from gunmen, including arbitrary arrests, abuse of police force, torture, destruction of houses, community cars, food and school equipments. In that way the Federal Police imposed systematically pressure, supported  by court decisions or other justifications not very clear for the Tupinambás, so that the Tupinambás would leave their re-conquered territory. Especially chief Babau and his family have been targeted, resulting in an endless list of violence against the Tupinambá of the Serra do Padeiro territory.

We trust the Word of the Chief and his brother, because of his responsible behavior and defense of nature, his community and supporting groups and people, as well as the organized and just way he leads his community that supports him as a Chief. This allows us to DEMAND, that Chief Babau and his brother be released now!

Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul/Ba – CEPEDES.

Source: http://racismoambiental.net.br/?p=205411


terça-feira, 24 de junho de 2014

#FreeTenharim: Ativistas ocupam saguão do Tribunal por liberdade para os índios Tenharim



#FreeTenharim: Ativistas ocupam saguão do Tribunal por liberdade para os índios Tenharim  - Trinta manifestantes acamparam por 12 horas no saguão do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), tendo deixado o local na manhã desta segunda-feira (23), após protocolarem um documento que pede a liberdade dos cinco indígenas Tenharim que estão presos em Porto Velho. 

Estudantes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o indígena José Humberto Tenharim e ativistas das seguintes ONGs fizeram parte do grupo de manifestantes:  Instituto Madeira Vivo, Instituto Índia Amazônia, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Rede de Educação Cidadã, Conselho Indigenista Missionário, Coletivo Jovem pela Sustentabilidade, e Via Campesina. 


Iremar Antonio Ferreira, membro da ONG Instituto Madeira Vivo, de Porto Velho, e um dos organizadores da manifestação destacou ao G1 [matéria publicada em 23/06/2014] que: “Não há provas que confirmem a culpa dos índios, e o habeas corpus é um direito constitucional. Um deles tem sérios problemas de saúde, por conta de um acidente vascular cerebral sofrido pouco tempo antes da prisão. A justiça pediu comprovação via laudo médico, mas não há como comprovar porque a Casa de Saúde Indígena, em Humaitá, foi incendiada”. Sobre o incêndio da Casa de Saúde Indígena, leia aqui.

José Humberto Tenharim falou ao G1 da indignação pela prisão do cacique Domiceno Tenharim: “Ele é nosso líder maior. Nossos rituais estão comprometidos. O Mbotawa, que é a Festa dos Espíritos, deveria acontecer em julho, mas já não sabemos mais... Todo o povo Tenharim está sofrendo com isso, interfere no nosso modo tradicional de viver”. Sobre o ritual Mbotawa e sua importância para o povo Tenharim, leia aqui. Quanto à preocupação dos indígenas quanto à não realização desse ritual, leia aqui, e aqui como se sentem os indígenas presos.

Fotos da ocupação do saguão do TJ-RO

Confeccionando cartazes
Afixando cartazes
Cartazes afixados na noite de 22 de junho
Cartazes afixados no piso do TJ-RO
Cartazes afixados durante a noite de 22 de junho
 

O povo Tenharim é contra a construção de hidrelétrica
Acampamento durante a noite
Acampamento no TJ-RO
Manhã de 23 de junho
Preparando para a entrega da declaração ao TJ-RO
Entrega da declaração dos manifestantes ao TJ-RO





segunda-feira, 12 de maio de 2014

Carta aberta pela demarcação das terras indígenas no Brasil

Carimbo de taquara Kaingang - Foto: Vladimir Kozak, 1955
Fonte: ISA- Instituto Socioambiental

CARTA ABERTA PELA DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS NO BRASIL

Nós, lideranças tradicionais do Povo Kaingáng, líderes, profissionais, jovens, mulheres, anciãos dos 305 Povos Indígenas, que falam 274 línguas e totalizam 0,4% da população nacional, com o apoio das organizações indígenas e pro indígenas, dos cidadãos brasileiros de todas as raças, movimentos sociais e da sociedade civil organizada denunciamos o Estado Brasileiro, seus Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário pelos 514 anos de omissão em favor do extermínio dos Povos Indígenas, da expropriação das nossas terras, da violação dos nossos direitos como seres humanos! 

O Rio Grande do Sul abriga dois dos grandes Povos Indígenas do país em população o que o torna o 10º Estado da Federação em população indígena no país: o Povo Guarani e o Povo Kaingáng são, respectivamente, o 2º e o 3º maior Povo Indígena do Brasil em população (Censo do IBGE, 2010). 

Os Kaingáng são cerca de 45 mil pessoas cuja maior parte habita o Estado do Rio Grande do Sul e possui as menores terras indígenas do país, confinados em reduções dos antigos territórios tradicionais que equivalem hoje a menos de 1% do território gaúcho, criando conflitos em que defendemos nosso direito à terra à custa de muitas vidas cujas perdas não são divulgadas pelos meios de comunicação e da criminalização individualizada de lideranças que defendem direitos coletivos constitucionalmente garantidos e diariamente desrespeitados. 

A insuficiência dos nossos territórios tem ameaçado a sobrevivência física e cultural do Povo Kaingáng, cuja língua se encontra em risco de extinção, segundo o Atlas da UNESCO sobre Línguas do Mundo em Perigo e os índices de desenvolvimento humano que colocam os Povos Indígenas como segmentos em situação de risco social e mostram a omissão do Estado Brasileiro em proteger a integridade dos Povos Indígenas como Povos distintos, nos termos do artigo 8º da Declaração da ONU sobre os direitos dos Povos Indígenas. 

Lutamos no Brasil e fora dele para que fosse reconhecido nosso direito originário a terra: um direito anterior à existência do Estado Brasileiro, que custou a vida de centenas e de milhares de indígenas e tivemos êxito: a Lei Maior do Brasil e a Convenção 169 da OIT consagram o nosso direito aos territórios indígenas. Um prazo de cinco anos foi estabelecido em 1988 e o ano de 1993 passou sem a regularização das terras indígenas no Brasil. 21 anos se passaram desde então e lutamos agora para não perder os direitos que nos foram reconhecidos: denunciamos o retrocesso legal que está em marcha no Congresso Nacional para eliminar direitos territoriais e assegurar os interesses do latifúndio e do agronegócio. 

Ressaltamos que o Governo atual possui os menores índices de demarcação das terras indígenas desde a ditadura militar e que o Poder Judiciário, o Poder Legislativo e o Poder Executivo Brasileiros têm violado o princípio da legalidade que obriga o Estado a respeitar e implementar o direito de consulta aos Povos Indígenas suscetíveis de serem afetados previamente a adoção de medidas jurídicas, políticas ou administrativas, mediante procedimentos apropriados, através de suas instituições representativas e de boa-fé, conforme determina a Convenção 169 da OIT. 

Expressamos nossa preocupação com iniciativas de cerceamento dos direitos territoriais dos nossos Povos, financiados pelo agronegócio, a exemplo da Proposta de Emenda Constitucional 215, que propõe atribuir ao Poder Legislativo atividades que são prerrogativas do Poder Executivo, da Portaria 303 da Advocacia Geral da União e de todas as iniciativas legais e administrativas tendentes a diminuir ou suprimir direitos territoriais dos Povos Indígenas contrariando o espírito da Constituição Federal, o Estatuto dos Povos Indígenas (Lei 6.001 de 1973) em seu artigo 2º, IX e o Decreto 1.775 de 1996 e em violação ao artigo 26 da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas: 

Artigo 26 – 1. Os povos indígenas têm direito às terras, territórios e recursos que possuem e ocupam tradicionalmente ou que tenham de outra forma utilizado ou adquirido. 

2. Os povos indígenas têm o direito de possuir, utilizar, desenvolver e controlar as terras, territórios e recursos que possuem em razão da propriedade tradicional ou de outra forma tradicional de ocupação ou de utilização, assim como aqueles que de outra forma tenham adquirido. 

3. Os Estados assegurarão reconhecimento e proteção jurídicos a essas terras, territórios e recursos. Tal reconhecimento respeitará adequadamente os costumes, as tradições e os regimes de posse da terra dos povos indígenas a que se refiram. 

Denunciamos o Governo Brasileiro por cada confronto, por todas as mortes que já ocorreram e que ainda ocorrerão pela disputa de terras imemoriais, demarcadas pelo sangue dos nossos povos! 

Exigimos o cumprimento e a imediata aplicação dos direitos humanos previstos em marcos legais nacionais e internacionais na condução da política para Povos Indígenas no Brasil. 

Exigimos que o Governo Brasileiro promova, com urgência, em consulta e com a participação plena e efetiva dos Povos Indígenas, um Plano de Regularização das Terras Indígenas no Brasil, com a participação proativa do Ministério Público Federal, para assegurar o cumprimento à Constituição Federal de 1988 que reconhece o direito originário dos Povos Indígenas aos nossos territórios tradicionais e em conformidade com a Convenção 169 da OIT. 

Em face da ausência do Estado Brasileiro para estabelecer diálogos solicitamos à Organização das Nações Unidas uma visita do Relator Especial da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas ao Brasil, com especial atenção às Regiões Sul e Centro Oeste do Brasil, em caráter de urgência e a apresentação de um relatório sobre os conflitos em virtude da violação de direitos humanos pela demora nos processos de demarcação dos territórios indígenas à próxima sessão do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, à Corte Interamericana de Direitos Humanos e à Anistia Internacional. 

O documento final da Rio+20 tem por título “O Futuro que Queremos” e o parágrafo 49 menciona a importância da implementação da Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas para um desenvolvimento sustentável! O Brasil se propõe a ser uma das grandes economias do mundo: mas onde estão os povos indígenas nos projetos de futuro do Brasil? Que futuro teremos se as terras indígenas são a condição sem a qual não é possível nossa sobrevivência física e cultural? 

Nossos líderes, nossos povos e organizações já encaminharam documentos, já realizaram manifestações pacíficas, viajaram a Brasília em busca de soluções para os conflitos fundiários e receberam promessas vazias que não foram cumpridas! Nossas lideranças têm sido assassinadas sem que os meios de comunicação divulguem os homicídios que ocorrem diariamente contra os povos indígenas e sem que os responsáveis sejam punidos. 

Assim, essa manifestação é um pedido de socorro, de urgente apuração das violações de direitos humanos e de adoção imediata de todas as providências cabíveis: judiciais e administrativas em prol da sobrevivência e do futuro dos nossos Povos. 

“Enquanto nós estivermos vivos, lutaremos pelas nossas terras!” 
(Cacique Raoni Metuktire Kayapó).