quinta-feira, 23 de abril de 2009

MAMA, MAMÃE, MAMÃEZINHA


Vida é o que me destes de ti
E corpo e pensamentos de amor
E teu ventre-abrigo
E teu braço amigo
me embalando pelos meus caminhos
Além da doçura de tuas belas mãos

Existência é o que me destes de ti
E raízes e tradições de bondade
E teu instinto protetor
E teu olhar de admiração
me contemplando pelos meus horizontes
Além da ternura de tua expressão facial

Em tudo que para mim foi início
Lá estava a tua presença corpórea ou simbólica
me apoiando e me incentivando
em tua fé pela minha felicidade
E, assim, Mamãezinha
Até mesmo em nossas divergências
Formamos um lindo elo mãe e filha
Que para sempre nos unirá

terça-feira, 21 de abril de 2009

De Tudo sobre o Folclore Brasileiro


No Tesauro de Folclore e Cultura Popular Brasileira, enciclopédia virtual, em sua segunda versão ampliada, pode-se pesquisar um repertório muito extenso de termos ligados ao folclore e à cultura popular do Brasil. Ele apresenta recursos multimídias, tais como vídeos, fotos, gravações sonoras, além de artigos sobre os assuntos consultados.

O Tesauro foi elaborado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura.

À primeira versão do Tesauro, que contemplava 2.092 termos selecionados a partir dos acervos documentais e museológicos do CNFCP, foram acrescentadas novas categorias e ampliadas as já existentes, de modo que, atualmente, ele abriga as seguintes grandes áreas: Alimento, Artefato, Associação, Atividade produtiva, Atividade ritual, Indivíduo, Matéria-prima, Literatura oral, Medicamento, Construção artesanal, Sistema de crença, Lugar e Tempo. Em Atividade ritual e Atividade produtiva foram incluídas as subcategorias Atividade musical, Atividade narrativa, Prática religiosa e Farmacopéia popular.

Para acessar o Tesauro clique em:

http://www.cnfcp.gov.br/tesauro/

domingo, 19 de abril de 2009

Divisão de Sílabas no Acordo Ortográfico

Regra geral: Faz-se a divisão silábica pela soletração (bi-sa-vó, ca-cho, de-sa-pa-re-cer, hi-pe-ra-cús-ti-co, ma-nha, ó-xi-do, su-bo-cu-lar) e, por isso, não se tem de atender à etimologia.

1º) São indivisíveis no interior de palavra, formando sílaba para a frente, as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, isto é, as sucessões em que a primeira consoante é b, c, d, f, g, p, t ou v e a segunda um l ou um r:

du-blar, lem-brar, du-plo, re-pro-var; a-cli-ve, de-cre-to, de-glu-tir, re-gra, a-tle-ta, cá-te-dra, me-tro; a-flo-rar, Á-fri-ca, ne-vro-se.

Exceção: compostos cujos prefixos terminam em B ou D: sub-lunar, ad-ro-gar (em vez de su-blu-nar, a-dro-gar).

2º) São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente grupos e igualmente as sucessões de m ou n, anasalados, e uma consoante:

ab-dicar, op-tar, ab-soluto, ad-jetivo, af-ta, íp-silon, ob-viar; des-cer, ac-ne, ad-mirável, Daf-ne, diafrag-ma, ét-nico, rit-mo, sub-meter, am-nésia, cor-roer, as-segurar, bissex-to, ex-citar, infeliz-mente; am-bição, desen-ganar, en-xame, man-cha.

3º) As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, nasalados, e duas ou mais consoantes são divisíveis e:

a) se nelas entra um dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito 1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior:

cam-braia, ec-tlipse, em-blema, ex-plicar, in-cluir, ins-crição, subs-crever, trans-gredir

b) se nelas não entra nenhum desses grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante:

abs-tenção, disp-neia, inters-telar, lamb-dacismo, sols-ticial, Terp-sícore, tungs-tênio.

4º) As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes podem separar-se se a primeira delas não é u precedido de g ou q. O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais:

ala-úde, áre-as, co-ordenar, do-er, flu-idez, perdo- as, cai-ais, ensai-os, flu-iu.

Obs.: As vogais de ditongos decrescentes nunca se separam:

ai-roso, cadei-ra, insti-tuião, sacris-tães, traves-sões

5º) gu e qu nunca se separam da vogal ou ditongo imediato:

ne-gue, ne-guei; pe-que, pe-quei, á-gua, ambí-guo, averi-gueis; longín-quos, lo-quaz, quais-quer.

6º) Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, por clareza gráfica, deve-se repetir o hífen no início da linha imediata:

ex- -ministro, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante


Literatura Infantil e Juvenil - Novo Site



O Projeto Memórias da Literatura Infantil e Juvenil, do portal Museu da Pessoa, inaugurou, no dia 14 de abril, um site mostrando a trajetória e dados da obra de 45 autores dedicados a esses gêneros literários. Conta com mais de 40 entrevistas exclusivas disponibilizadas em texto, áudio e vídeo, além de biografias e uma ampla pesquisa de referências bibliográficas. A proposta dos idealizadores do site é a de revelar detalhes das vidas dos escritores, ilustradores, críticos e editores de modo a promover uma aproximação entre vida e arte:

É assim, ouvindo e lendo narrativas pessoais, que podemos nos aproximar das memórias de quem viveu e vive a literatura infanto-juvenil. Pessoas que certamente têm muita história para contar, como Ruth Rocha, Sérgio Capparelli, Mary França, Pedro Bandeira, Tatiana Belinky, entre outros. Pessoas cuja infância foi marcada por acontecimentos muito próprios e que desenvolveram um olhar particular para o mundo. Pessoas, não personagens.

Para acessar esse site, clique em:

www.memoriasdaliteratura.art.br

Esse site traz para professores o livro Memórias da literatura infantil e juvenil: edição do educador. Trata-se de um guia para aproveitamento do conteúdo do site no ensino, contendo sugestões de atividades e disponível para download em:

http://200.183.102.34/museuDaPessoa/memoriasDaLiteratura/edicao_educador.pdf

Portinari para Crianças e Adultos


Remover formatação da seleção

Conheça o site Projeto Portinari. Nele, tem-se acesso a um acervo que contém quase cinco mil obras de Candido Portinari e aproximadamente 30 mil documentos relacionados a elas. Entre os documentos encontram-se correspondências, recortes de periódicos, livros, fotografias de época, depoimentos, catálogos de exposição e de leilão, e textos.

Uma seção muito especial do site é reservada às crianças, com uma galeria de obras voltadas à infância, jogos e um guia para professores que trabalham com alunos na 1ª fase do 1º grau. No guia se encontram uma síntese biográfica do artista, descrição da obra, observações a serem levantadas pelos professores junto a seus alunos e sugestões de atividades.

A obra acima, denominada Menino Retirante Segurando Bauzinho, é uma pintura com tinta a óleo sobre tela de tecido. Foi feita em 1947 e tem 1 metro de altura por 81 centímetros de largura.

Para acessar o Projeto Portinari, clique em:

http://www.portinari.org.br

sábado, 18 de abril de 2009

VÍDEO PLEONASMO VICIOSO DESCONTRAíDO

Esse vídeo destaca, de maneira muito divertida, o "vício de linguagem" da repetição. Indicado para alunos do ensino médio e universitário.

VÍDEO EDUCATIVO - NOVA ORTOGRAFIA

Esse vídeo enfatiza as principais mudanças relativas à acentuação gráfica e ao hífen, através de imagens graciosas, com um bonequinho apresentador. Indicado para o ensino nos vários níveis.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

VÍDEO SOBRE A NOVA ORTOGRAFIA


O vídeo Dona Philomena e as reformas ortográficas é interessante para alunos do ensino fundamental e médio.
Ele narra a história da ortografia no Brasil.

Acordo Ortográfico - Especial para TCC

A Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo publicou, neste mês, uma mátéria interessante para monografias e para professores de Língua Portuguesa, o Especial: REFORMA ORTOGRÁFICA.

Essa publicação traz uma introdução com informações gerais sobre a nova ortografia: a data de vigor do Novo Acordo,comentários sobre o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e um lembrete sobre o fato de que a mudança ortográfica não mexe na pronúncia das palavras.

A seguir, a matéria relata como aconteceu o acordo ortográfico. E finaliza com a história da língua portuguesa e um histórico das reformas ortográficas do passado.

Essa publicação está disponível em:


Material sobre a Nova Ortografia - Links

Seguem links de material para download sobre a nova ortografia.

1) Guia da Reforma Ortográfica (Museu da Língua Portuguesa/FMU) - apresenta um histórico das reformas ortográficas e dados sobre a nova ortografia, com algumas ilustrações:

· http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/docs/200904-guia.pdf


2) Manual da Nova Ortografia (Editora Ática):

· http://www.atica.com.br/novaortografia/manual_nova_ortografia.pdf


3) Folheto sobre as novas regras de acentuação, material ilustrado e criativo, indicado para as últimas séries do ensino fundamental e para o ensino médio:

· http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/docs/200904-folheto.pdf


4) Algumas considerações sobre o acordo ortográfico. Artigo de Geraldo Cintra contendo bibliografia com links para opiniões contrárias à nova ortografia:

· http://www.fflch.usp.br/eventos/simelp/new/pdf/mes/07.pdf

domingo, 12 de abril de 2009

Inscrições para o Prêmio OFF FLIP de Literatura

Informamos que estão abertas as inscrições para a quarta edição do Prêmio OFF FLIP de Literatura, nos gêneros conto e poesia. As inscrições se encerram no dia 5/5/2009.

O Prêmio terá uma bolsa de criação literária de R$ 5 mil patrocinada pela FLIPORTO – Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas e que será oferecida ao primeiro colocado em cada gênero (conto e poesia). Os dois vencedores terão despesas custeadas para assistirem à programação da FLIPORTO, que acontece no famoso balneário pernambucano.

Criado em 2006 como parte da programação literária da OFF FLIP, o Prêmio oferecerá ainda ao primeiro colocado e aos demais vencedores R$ 10 mil no total, além de estadia em Paraty e ingressos para mesas de debate da FLIP. Há também outras formas de premiação, como cota de livros de editoras parceiras e passeio de escuna pela baía de Paraty. Os 40 textos finalistas serão publicados em uma coletânea pelo Selo OFF FLIP.

Os contos e poemas serão avaliados por duas comissões formadas por escritores de expressão no cenário literário brasileiro. A premiação será durante a OFF FLIP, que acontecerá entre 1º e 5 de julho paralelamente à Festa Literária Internacional de Paraty. No mesmo dia da premiação será lançada a coletânea com os textos vencedores em 2008.

O regulamento pode ser lido no site do Prêmio www.premio-offflip.net

Fonte: Revista Museu (31/3/2009)

Conheça as Deslumbrantes Obras de Goeldi


O artista visual Goeldi é um nome fundamental no desenvolvimento da gravura em nosso país. Recentemente foi criado o Centro Virtual de Documentação e Referência Oswaldo Goeldi dedicado a ele. Nesse Centro, o público em geral e estudantes e professores, em particular, têm acesso online a gravuras, desenhos e ilustrações para livros e jornais realizados pelo artista em diversas etapas da vida do artista.

De acordo com o portal, as “reproduções foram preparadas com a preocupação da fidelidade aos originais, obedecendo a rigorosos critérios técnicos”. Acrescentam que:

O Centro é uma ferramenta única, pois através dele pode-se gerar extenso catálogo de obras. O Centro se constitui em um banco de dados, que permite ao usuário a participação em vários níveis, com o objetivo de divulgar e permitir o acesso à obra de Oswaldo Goeldi. As áreas educacionais do portal incluem a divulgação de informações sobre arte e cultura brasileiras.


Na tópico Área Educacional, há propostas de atividades a fim de que os alunos do ensino fundamental e médio possam conhecer um pouco da extensa produção artística de Goeldi. As sugestões propostas poderão ser integradas a outras disciplinas, de modo interdisciplinar, o que seria muito proveitoso.

Para acessar esse portal, clique em:

http://www.centrovirtualgoeldi.com/

sábado, 11 de abril de 2009

Já é obrigatório usar a nova ortografia?



Atualização (28/12/2012): Atenção! O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade do uso da nova ortografia. Clique aqui para ler a notícia.

De acordo com a Academia Brasileira de Letras (ABL), órgão a quem compete a palavra final em termos de ortografia, apenas em casos expressos é obrigatório o uso da nova ortografia. Até o final de 2012, tanto a nova quanto a antiga ortografia serão consideradas corretas.

Assim, não é preciso que todas as mudanças (que não são muitas no português do Brasil) sejam assimiladas de uma vez.

Caso diferente é o de pessoas que vão prestar concursos ou vestibulares. Devem ficar atentas às instruções do edital ou manual do candidato, para saberem se a instituição exigirá o conhecimento da nova ortografia.

Também devem se adequar às mudanças os professores do ensino fundamental e médio.

Dizendo "tipo assim"

Não deixe que ponham pontos finais nos seus papos do dia a dia, censurando as expressões que você usa. Diga abaixo à tirania do conservadorismo linguístico. Estamos em pleno século XXI, mais que hora de trazer à luz a língua viva, que está na boca dos jovens de alma e de corpo.

Não se envergonhe de usar a língua que você conhece e com a qual se identifica. Em São Paulo, já exite o Museu da Língua Portuguesa, onde podem guardar o português de antigamente.

Preconceito contra Palavras

Certas palavras são evitadas sem nenhuma razão. São julgadas incorretas ou mesmo inadequadas na escrita culta, quando, na verdade, são perfeitamente adequadas a essa modalidade da língua.

Entre essas palavras "vítimas de preconceito", destacam-se duas:
NUM e o verbo USAR.

Em vez de NUM, só escrevem EM UM, desprezando a contração que, inclusive, é considerada mais erudita pelos gramáticos puristas. (O mesmo se diga da forma feminina NUMA e dos plurais NUNS e NUMAS.)

Em vez do verbo USAR, tão curto e bom, só usam o imenso UTILIZAR.

Justiça seja feita a essas palavras, e que elas compareçam mais vezes nos nossos escritos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PESQUISA SOBRE A ARTE BARROCA - livro e vídeo


Apresentando dados da história, arquitetura e ornamentação de mais de 80 igrejas das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, o livro Igrejas barrocas do Brasil, de Percival Tirapeli, foi lançado no sábado (4/4), na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Tirapeli é professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Seu livro, em edição bilíngue (inglês e português), recupera 350 anos de história da arte barroca no país - no mais completo registro desse patrimônio realizado até o presente momento, segundo a Unesp.

Em sua pesquisa, o autor contou com a colaboração de fotógrafos para o registro das edificações religiosas. A obra contém mais de 360 fotografias e apresenta uma relação atualizada de museus de arte sacra que têm pouca visitação e raramente são citados em pesquisas.

Entre outros livros do pesquisador estão As mais belas Igrejas do Brasil (1999), Patrimônios da humanidade no Brasil (2000) e Barroco e Rococó (2003), que obteve o prêmio de melhor pesquisa em artes pela Associação Brasileira de Críticos de Arte e de melhor livro do ano pela Rádio Eldorado.

Igrejas barrocas do Brasil foi publicado pela Metalivros, tem 360 páginas e custa 180 reais.

Fonte: Agência FAPESP (6/4/2009)

Assista a uma bela exposição de arte barroca brasileira, organizada pela pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP):

segunda-feira, 6 de abril de 2009

PALAVRAS COM HÍFEN E SEM HÍFEN

Já se pode consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), para saber a nova ortografia das palavras. Clique aqui.

Segue uma lista de palavras, de acordo com a nova ortografia, quanto às quais costuma haver dúvidas relacionadas ao hífen:

Letra A

a fim de
à queima-roupa
à toa
à vontade
abaixo-assinado (documento) abaixo assinados (signatários)
ab-rupto e abrupto
acerca de
aeroespacial
afro-brasileiro
afrodescendente
agroindústria
água-de-colônia
além-mar
amor-perfeito
anglo-saxão
ano-luz
antessala
antiaderente
antieconômico
anti-herói
anti-higiênico
anti-infeccioso
anti-inflamatório
antirrepublicano
antissemita
antissocial
ao deus-dará
arco-íris
autoadesivo
autoafirmação
autoajuda
autodidata
autoescola
autoestima
autoestrada
auto-hipnose
ave-maria
azul-marinho

Letra B

bem-amado
bem-aventurado
bem-criado
bem-dito (de dizer) e bendito (abençoado)
bem-dizer
bem-estar
bem-falante
bem-humorado
bem-me-quer
bem-te-vi
bem-vestido
bem-vindo
benfeito
benfeitoria
benquerer
benquisto
bico-de-papagaio (planta) e bico de papagaio (na coluna)
biorritmo
biossocial
blá-blá-blá
boa-fé
bumba meu boi

Letra C

café com leite
cão de guarda
carboidrato e carbo-hidrato
causa-mortis
circum-navegação
coabitar
coautor
cobra-d'água
coedição
coeducação
coenzima
coexistir
coirmão
conta-gotas
contra-ataque
contracheque
contraexemplo
contraindicado
contraoferta
contrarregra
contrassenso
coobrigação
cooptar
cor de café com leite
cor de vinho
cor-de-rosa
couve-flor
criado-mudo

Letra D

decreto-lei
dente-de-leão
desumano
deus nos acuda
dia a dia

Letra E

em cima
embaixo
euro-asiático
eurocêntrico
ex-diretor
ex-presidente
ex-primeiro-ministro
ex-marido
extraclasse
extraescolar
extrafino
extraoficial

Letra F

faz de conta
fim de século
fim de semana

Letra G

geofísica
geo-história
giga-hertz
girassol
grã-fino
grão-duque
Grão-Pará
guarda-chuva
guarda-noturno
Guiné-Bissau

Letra H

habeas-corpus
hidroelétrica e hidrelétrica
hidrossolúvel
hidroterapia
hipermercado
hiper-realista
hiper-refinado

Letra I

indo-chinês (da Índia e China)
indochinês (da Indochina)
indo-europeu
infra-assinado
infraestrutura
infrassom
inter-hemisférico
interpessoal
inter-regional
inter-relacionado
intramuscular
intraocular
intrauterino
inumano

Letra J

joão-de-barro
joão-ninguém

Letra L

latino-americano
luso-brasileiro
lusofonia

Letra M

macroestrutura
macrorregião
madressilva
mãe-d'água
má-fé
mais-que-perfeito
mal de Alzheimer
mal-acabado
malcriado
mal-entendido
mal-estar
malgrado
mal-humorado
mal-informado
má-língua
malmequer
malpassado
malvisto
mandachuva
maria vai com as outras
médico-cirurgião
mesa-redonda
microcirurgia
microempresa
microestrutura
micro-ondas
micro-organismo
microssistema
minissaia
minissérie
multisseriado

Letra N

não adepto
não fumante
não me toques (melindre)
não-me-toques (planta)
não oral
neoafricano
neoexpressionista
neo-ortodoxo
norte-americano

Letra O

olho-d'água

Letra P

pan-americano
pan-hispânico
para-brisa
para-choque
para-lama
paraquedas
paraquedismo
para-raios
pingue-pongue
plurianual
polivitamínico
por isso
porta-aviões
porta-retrato
porto-alegrense
pós-graduação
predeterminado
preencher
pré-escolar
preexistir
pré-história
pré-natal
pré-nupcial
pré-requisito
pressupor
primeiro-ministro
primeiro-tenente
proeminente
pró-reitor
pseudoprefixo
psicossocial

Letra Q

quarta-feira
quinta-feira

Letra R

reabilitar
recém-casado
recém-nascido
reco-reco
reedição
reeleição
reescrever
reidratar
ressocializar
retroalimentar
reumanizar

Letra S

sala de estar
segunda-feira
sem-cerimônia
semiaberto
semianalfabeto
semiárido
semicírculo
semi-interno
sem-número
sem-vergonha
sexta-feira
sobreaquecer
sobre-elevação
sobre-estimar
sobre-humano
sobrepor
sociocultural
socioeconômico
sócio-histórico
subalimentado
subalugar
subaquático
subemprego
subestimar
subdiretor
sub-humano
subfaturar
sub-reitor
sub-rogar
sul-africano
superestrutura
super-homem
super-racional
super-resistente
suprarrenal
suprassumo

Letra T

tenente-coronel
tico-tico
tia-avó
tique-taque
tomara que caia

Letra U

tenente-coronel
terça-feira
tico-tico
tia-avó
tique-taque
tomara que caia

Letra V

vaga-lume
verbo-nominal
vice-almirante
vice-presidente
vice-rei
vira-casaca

Letra X

xique-xique (chocalho)
xiquexique (planta)

Letra U

zás-trás
zé-povinho
zigue-zague
zum-zum-zum

E-mail para contatos: lelovni@yahoo.com.br

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Acordo Ortográfico Tem Significado Político

O significado político do Acordo Ortográfico é tratado com lucidez e profundidade no artigo de um dos mais respeitáveis linguistas do país, o Prof. Dr. José Luiz Fiorin, da USP. Intitulado O Acordo Ortográfico: uma Questão de Política Lingüística, esse artigo foi publicado na 4ª edição da revista eletrônica Linguasagem, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Abaixo transcrevemos parte desse texto, que interessa de perto aos professores de Língua Portuguesa (os grifos são nossos):

[...] Nos últimos tempos, diferentes manifestações têm surgido sobre o assunto e mesmo pessoas consideradas especialistas na matéria têm incidido em uma série de equívocos. É preciso afastá-los para evitar que eles toldem nossa apreciação desse objeto.

O primeiro é que se está fazendo uma unificação da língua portuguesa. Isso não é verdade. [...] O que se pretende unificar é a escrita e não a língua, que varia de região para outra, de um grupo social para outro, de uma situação de comunicação para outra, de uma faixa etária para outra. A variação é um fenômeno inerente à língua, porque a sociedade em que ela é falada é heterogênea. É impossível uniformizar a língua. [...]

Muitos dos que se puserem contra o acordo, principalmente em Portugal, diziam estar defendendo a língua portuguesa. A revista VEJA de 12 de setembro de 2007 publicou um artigo que versava basicamente sobre a reforma ortográfica. Uma afirmação deve dele ser destacada: “o português pode ser transformado por um acordo ortográfico” (p. 88) A idéia de que a ortografia pode “corromper” a língua é um equívoco, porque se funda na noção de que a ortografia é um elemento central da organização das línguas. [...] a ortografia é uma convenção por meio da qual se representam as formas faladas da língua. Isso significa que nenhuma mudança ortográfica representa transformação da língua.

Os que defendem o acordo dizem que a simplificação da ortografia vai levar os estudantes a redigir melhor. É um engano. Os erros de ortografia, embora chamem muito a atenção, constituem o elemento mais fácil de ensinar no processo de aquisição da modalidade escrita da língua e, ao mesmo tempo, o menos importante dos problemas de redação. O verdadeiro problema é que os períodos tenham uma articulação sintática adequada, que os textos tenham clareza, coerência, coesão, etc.

Outro equívoco é que a reforma é muito tímida, dever-se-ia fazer uma mudança radical no sentido de simplificar a ortografia e aproximá-la da maneira como falamos. Na verdade, aqui há dois erros. Primeiramente, não se está fazendo propriamente uma reforma ortográfica e sim um acordo de unificação ortográfica e, portanto, ele atinge basicamente os pontos de divergência das duas ortografias e não faz uma reforma profunda na maneira de grafar as palavras. Depois, enganam-se os que pensam que se pode escrever como se fala, pois a pronúncia varia, por exemplo, de região para região dentro de cada país e, por isso, não se pode grafar tal como se fala. [...] Podia-se fazer reforma ortográfica radical até o início do século XX. Depois disso, com a alfabetização de quase toda a população e com o crescimento das bibliotecas, dos acervos, etc. não se pode mais pensar em alterar totalmente a ortografia.

Outro erro sobre o acordo é que ele, de fato, não unifica a ortografia. Como disse um conhecido professor de português, é “uma reforma meia-sola”. Os que afirmam isso se fundamentam no fato de que o tratado permite dupla ortografia nos casos em que no Brasil se acentua com acento circunflexo e em Portugal, com acento agudo, refletindo a diferença de timbre fechado e aberto [...] Afirmar que não houve a unificação é um erro porque as duas grafias passam a ser corretas no território da lusofonia. [...] com muita sabedoria, unificou-se, respeitando-se a diversidade de pronúncia refletida em formas históricas de grafar. Além disso, o princípio da dupla grafia existe já no sistema ortográfico brasileiro. [...] O princípio da dupla grafia não é uma invenção do atual acordo ortográfico.

O acordo apresenta vários problemas técnicos, que devem ser discutidos. No entanto, seu alcance não é propriamente lingüístico, mas político e, assim, ele deve ser analisado. Trata-se de uma decisão de política lingüística dos países lusófonos. [...]


Uma última observação deve ser feita. Uma língua não é um mero instrumento de comunicação, mas tem funções simbólicas muito importantes no seio de uma sociedade. É vista, por exemplo, como fator de unidade nacional, como ponta de lança da invasão cultural, etc. Uma política lingüística diz respeito muito mais às funções simbólicas da língua do que a suas funções comunicativas. Não são as necessidades reais de comunicação que pesam na definição de uma política lingüística, mas considerações políticas, sociais, econômicas ou religiosas.


Os séculos XVIII a XX marcam a criação das nações. A atual etapa do capitalismo exige a criação de entidades transnacionais. Uma dessas organizações é a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o espaço da chamada lusofonia. Essa entidade transnacional tem escassas chances de se transformar num espaço econômico, de livre circulação de bens. Isso se deve ao fato de que o Brasil pertence ao MERCOSUL e Portugal, à União Européia. Veja-se, por exemplo, a impossibilidade de um acordo entre o MERCOSUL e a União Européia. Por outro lado, pelos compromissos de Portugal com a União Européia, nossa comunidade nunca será um espaço de livre circulação de pessoas. Só pode ser uma comunidade política, cultural e lingüística. Para isso, é preciso construir uma identidade comunitária. Foi pensando nisso que se assinou o acordo de unificação ortográfica. Em seus considerandos, diz-se que o acordo “constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa”. É nesse contexto que o acordo deve ser visto, ele tem um alcance simbólico. Visa a afirmar, por meio da unificação ortográfica, uma unidade lingüística que emerge de uma grande diversidade, que é o símbolo da unidade essencial dos povos da CPLP.

Passamos mal pelo primeiro teste de construção de uma identidade lusófona: a ratificação e a implementação do acordo de unificação ortográfica. Há razões relacionadas à afirmação do português no mundo para essa unificação. Entretanto, para mim, isso é o que menos importa. O que é significativo é que o acordo é um instrumento político de construção de uma identidade comum. Mas o que houve? Completa indiferença no Brasil, onde o acordo foi tratado com desdém (“há coisas mais importantes do que isso”), quando não com chacotas, e um clima de beligerância em Portugal.

Os lingüistas têm graves responsabilidades no clima de confusão que se formou. Pasquale Cipro Neto disse (VEJA, 12/9/2007, p. 90), que, por aceitar dupla grafia de uma série de palavras, ela não unifica nada. Entretanto, essa característica da reforma, o acolhimento da diversidade, é exatamente seu ponto forte como instrumento de construção identitária.

Em Portugal, os argumentos para colocar-se contra o acordo foram de “manutenção da pureza da língua original” (argumento que não resiste à mais superficial análise dos fatos); “rechaço à brasilianização da ortografia”, ao “colonialismo dos ex-colonizados”, que pretendiam impor uma “humilhação estatística a Portugal: 1,4% de alterações para Portugal contra uns míseros 0,5% do Brasil” (O Estado de S. Paulo, 2/12/2007, J7). Apesar de figuras do mais alto significado nos estudos da linguagem em Portugal, como Malaca Casteleiro, Carlos Reis e Maria Helena da Rocha Pereira, se terem colocado a favor do acordo, o jornal Público, de 8/4/2008, trazia na página 3 o seguinte título: “Livreiros e lingüistas contra. Brasileiros, timorenses, ex-exilados e galegos, pró”. Vasco da Graça Moura esgrimiu os seguintes argumentos diante da Assembléia Nacional: 1) “o acordo serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento dos interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo, em especial do nosso país”; 2) “é uma lesão de um capital simbólico acumulado e de projecção planetária”; 3) “vai homogeneizar integralmente a grafia portuguesa com a brasileira (....) desfigurando a escrita, a pronúncia e a língua, que são nossas”. Não nego a complexidade da questão e os múltiplos interesses envolvidos no tema. Entretanto, a discussão do acordo revela nossa incapacidade de construir uma identidade lusófona. Os argumentos aparecidos em Portugal de preservação da pureza da língua, de não aceitação da diversidade, são comuns aos argumentos da extrema direita na defesa da identidade nacional. Revelam, ao mesmo tempo, um temor e um desdém pelo Brasil. No Brasil, a discussão deixa patente uma completa indiferença por Portugal.

Não temos, como estudiosos da linguagem, o direito de fomentar ódios, ressentimentos, fantasias nacionalistas. Não temos o direito de não perceber o que está em jogo numa questão como a do acordo de unificação ortográfica. O acordo tem problemas técnicos e eles devem ser mostrados e discutidos. Ele pode ser combatido pelos seus defeitos e não por suas qualidades (a própria idéia da unificação ortográfica e o acolhimento da diversidade), que dizem respeito à afirmação de uma identidade comum. Superar o nacionalismo e a xenofobia, que tanto infelicitaram o século XX, é uma ação importante.

Para que a lusofonia seja um espaço simbólico significativo para seus habitantes, para que seus membros tenham uma identidade lusófona, é preciso, no que diz respeito à língua, que seja um espaço em que todas as variedades lingüísticas sejam, respeitosamente, tratadas em pé de igualdade. É necessário que não haja a autoridade "paterna" dos padrões lusitanos. Evidentemente, a lusofonia tem origem em Portugal e isso é preciso reconhecer. Contudo, Portugal não pode pretender a hegemonia da legitimidade lingüística, desejo que fica visível nos argumentos dos que se puseram contra o acordo. No entanto, o que se espera na construção do espaço enunciativo lusófono é a comunidade dos iguais, que têm a mesma origem. Esse é o significado da afirmação de Caetano Veloso:


Minha pátria é minha língua
E eu não tenho pátria: tenho mátria
E quero frátria.


Não se pode esquecer que pátria e pai são formados da mesma raiz. A eles estava ligada a potestas (Benveniste, 1969, p. 217-218). A lusofonia não será pátria, porque não será um espaço de poder ou de autoridade. Será mátria e será fátria, porque deve ser o espaço dos iguais, que têm a mesma origem. Se assim não for, ela não terá nenhum significado simbólico real, será um espaço do discurso vazio, de um jargão político sem sentido.

O artigo integral do Prof. Fiorin se encontra disponível neste link.