segunda-feira, 30 de março de 2009

Aprender e Ensinar a Nova Ortografia - Passo 2 - Acentuação Gráfica

No Passo 1, vimos que o Acordo introduz três letras no nosso alfabeto: k, w, y. Elas não devem ser usadas para escrever palavras como kilograma ou kilômetro, sendo empregadas apenas em nomes estrangeiros e seus derivados, bem como em abreviaturas, como: kg, km, W (West – oeste), yd (yard – jarda). Podem ser usadas em enumerações de itens: j) ...; k) ...; l) ...; x) ...; w) ...; y) ...; z) ...

Agora vamos aprender as alterações da acentuação gráfica introduzidas pelo Acordo e complementadas pelo Vocabulário Ortográfico (VOLP).

Legenda da formatação de caracteres a qual usamos para distinguir os casos:

em negrito – exceções do VOLP
em negrito e itálico – exceções do Acordo
em itálico – novidades do Acordo

USO DO TREMA

Só se usa o trema em nomes estrangeiros.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS OXÍTONAS

Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da preposição por.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS

As palavras paroxítonas não são em geral acentuadas graficamente: enjoo, grave, homem, mesa, Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente.

Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia; coreico, epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia, hoia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias, etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina, heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina. EXCEÇÃO: destróier, Méier.

Obs.: Continuam os circunflexos, por ex.: blêizer, contêiner.

Recebem acento:

As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tônica, as vogais fechadas com a grafia a, e, o e que terminam em -l, -n, -r, ou -x, assim como as respectivas formas do plural, algumas das quais se tornam proparoxítonas.
EXCEÇÃO: iândom e rádom (novo acento – iândon já existia).

As formas verbais têm e vêm, 3ªs pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que são foneticamente paroxítonas, vêem, a fim de se distinguirem de tem e vem, 3ªs pessoas do singular do presente do indicativo ou 2ªs pessoas do singular do imperativo; e também as correspondentes formas compostas, tais como: abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detém), entretêm (cf. entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém), provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).

Assinalam-se com acento circunflexo:

a) Obrigatoriamente, pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), no que se distingue da correspondente forma do presente do indicativo (pode).

b) Facultativamente, fôrma (substantivo), distinta de forma (substantivo; 3ª pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ªpessoa do singular do imperativo do verbo formar).


Não se usa acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um E tônico oral fechado em hiato com a terminação -EM da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.

Também não se usa o acento circunflexo para assinalar a vogal tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc. EXCEÇÃO: herôon.

E não se usa o acento agudo nem o circunflexo para distinguir palavras paroxítonas que, tendo respectivamente vogal tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas. Assim, deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de per e la(s); pelo (é), flexão de pelar, pelo(s) (é), substantivo ou combinação de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.

DA ACENTUAÇÃO DAS VOGAIS TÔNICAS GRAFADAS

I E U DAS PALAVRAS OXÍTONAS E PAROXÍTONAS

Não se usa acento agudo nas vogais tônicas grafadas i e u das palavras paroxítonas, quando elas estão precedidas de ditongo: baiuca, boiuno, cauila (var. cauira), cheiinho (de cheio), saiinha (de saia).

Levam, porém, acento agudo as vogais tônicas grafadas i e u quando, precedidas de ditongo, pertencem a palavras oxítonas e estão em posição final ou seguidas de s: Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.

Obs.: Se, neste caso, a consoante final for diferente de s, tais vogais dispensam o acento agudo: cauim.


Os verbos aguir e redarguir prescindem do acento agudo na vogal tônica grafada u nas formas rizotônicas: arguo, arguis, (ele) argui, arguem; argua, arguas, argua, arguam. EXCEÇÃO: eu arguí.

Os verbos do tipo de aguar, apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir e afins, por oferecerem dois paradigmas, ou têm as formas rizotônicas igualmente acentuadas no U mas sem marca gráfica (a exemplo de averiguo, averiguas, averigua, averiguam; averigue, averigues, averigue, averiguem; enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxague, enxaguem, etc.; delinquo, delinquis, delinqui, delinquem; mas delinquimos, delin quis) ou têm as formas rizotônicas acentuadas fônica e graficamente nas vogais A ou I radicais (a exemplo de averíguo, averíguas, averígua, averíguam; averígue, averígues, averígue, averíguem; enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxágue, enxáguem; delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínqua, delínquam).

As demais regras de acentuação gráfica foram mantidas.

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Aprender e Ensinar a Nova Ortografia – Passo a Passo - Parte 1

O que o professor deve saber sobre a nova ortografia? Como ensinar as novas regras do hífen e da acentuação gráfica? Como ensinar crianças? Como ensinar alunos alfabetizados com a velha ortografia?

As questões acima são exemplos de dúvidas que se apresentam para professores de língua portuguesa nos diversos níveis. A partir de agora e nas próximas postagens, passaremos a dar orientações sobre o tema Aprender e ensinar a nova ortografia.

Em primeiro lugar, o professor deve tomar conhecimento do Acordo Ortográfico de 1990, com as alterações e suplementações feitas na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Nesse sentido, o primeiro passo é saber o conteúdo da Base I do Acordo:

DO ALFABETO E DOS NOMES PRÓPRIOS ESTRANGEIROS E SEUS DERIVADOS

1º) O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:
a A (á) - b B (bê) - c C (cê) - d D (dê) - e E (é) - f F (efe) - g G (gê ou guê) - h H (agá) - i I (i) - j J (jota) - k K (capa ou cá) - l L (ele) - m M (eme) - n N (ene) - o O (o) - p P (pê) - q Q (quê) - r R (erre) - s S (esse) - t T (tê) - u U (u) - v V (vê) - w W (dáblio) - x X (xis) - y Y (ípsilon) - z Z (zê).

Obs.:
1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos:
rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu (quê-u).

2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar.

2º) As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:

a) Em antropônimos (nomes de pessoas) originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, ftankliniano; Kant, kantistno; Darwin, darwinismo: Wagner, wagneriano, Byron, byroniano; Taylor, taylorista;

b) Em topônimos (nomes de lugares) originários de outras línguas e seus derivados:Kwanza; Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano;

c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-oeste (West); kg-quilograma, km-quilómetro, kW-kilowatt, yd-jarda (yard); Watt.

3º) Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que figurem nesses nomes:comtista, de Comte; garrettiano, de Garrett; jeffersónia/ jeffersônia, de Jefferson; mülleriano, de Müller; shakesperiano, de Shakespeare.

Os vocábulos autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, bungavília/ bunganvílea/ bougainvíllea).

4º) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se qualquer um desses dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.

5º) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e h mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropônimos e topônimos da tradição bíblica:Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.

Integram-se também nesta forma: Cid. em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calcem ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.

Nada impede, entretanto, que dos antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final: Jó, Davi e Jacó.

6º) Recomenda-se que os topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente.Exemplos: Anvers, substituíndo por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Justland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.

É importante frisar, aqui, que o Acordo trata de letras, portanto não há como pensar em quais seriam vogais ou consoantes. A classificação em vogais ou consoantes é dada aos fonemas (sons) das palavras, não cabe no que se refere às letras (representações escritas de sons). O professor também deve estar atento ao fato de que não se escreve kilograma ou kilômetro, apenas se usa a letra k nas abreviatura kg e km.

Até o próximo Passo.
Profª Sonia

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segunda-feira, 23 de março de 2009

NOVA ORTOGRAFIA: CRITÉRIOS DE ELABORAÇÃO DO VOLP

O VOLP E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

(Palestra de Evanildo Bechara, dia 17/03/2009, apresentada online no site da ABL.)

Quatro princípios metodológicos nortearam a elaboração da 5ª edição do VOLP:

Obediência ao Acordo de 90 (critério “acaciano”), daí se seguem regras gerais.

Leitura do Acordo de maneira mais ampla, daí se seguem regras específicas.

- OI e EI sem acento – porque há lugares da lusofonia onde o ditongo não é tão marcado.

Regra geral prevalece em: destróier, Méier (paroxítonos terminados em R).

- OO e EE sem acento – em 1945 não eram acentuados, em 1943 eram. O Acordo atual é mais próximo do de 45.

Regra geral prevalece em: herôon (paroxítono terminado em N). Suplementa o Acordo. Significa templo para cultuar heróis gregos e romanos.

- Problemas gerados pelo uso de etc. nas listas de exceções do Acordo – no VOLP, consideraram-se apenas as exceções explícitas mais o critério de os derivados seguirem a excepcionalidade dos originais. Exemplos: paraquedas > paraquedismo, girassol > girassolzinho, pontapé > pontapear.

- Quanto aos compostos, a tradição brasileira e lusitana não tem dúvida em aglutinar formas como abrolhos, passatempo, passaporte, valhacouto. Quando não houve coincidência, como em rega-bofe (Brasil) e rega bofe (Portugal), seguiu-se o critério de haver ou não elemento de ligação entre as palavras (substantivos, verbos, adjetivos): sem elemento de ligação vai hífen (rega-bofe, vaga-lume); com elemento de ligação não vai hífen (pé de galinha, ponto e vírgula).

Espírito imanente do Acordo (simplificação).

- As locuções adverbiais, adjetivas, pronominais, conjuncionais não eram hifenizadas, com exceção de uns cinco casos. Isso era difícil para o falante. Daí o hífen ter sido retirado de todas as locuções. Por ex.: dia a dia, à toa.

Problemas:

a)Onomatopéias – havia com e sem hífen. Dar nome a sons é semelhante a nomear as coisas (Saussure), daí se pode considerar a onomatopéia como o substantivo: substantivo sem elemento de ligação vai hífen, então em onomatopéia também vai, ex. reco-reco, cri-cri. Os derivados também deveriam seguir esse critério, mas, como a tradição não usava o hífen, o VOLP também não usa. Ex. cricrilar.

b)Locuções lexicalizadas (= valor de substantivo) – sem hífen. Ex.: maria vai com as outras.


Observar os VOLPs anteriores e, com base neles, suprir lacunas.

Vogais iguais – com hífen, para garantir a integridade de cada vogal, evitando-se a crase. Ex.: anti-ibérico. Mas, nos últimos cem anos da língua, não é normal haver a crase em REE e em COO, daí o VOLP supriu o Acordo, mantendo esses derivados sem hífen. Ex.: reeleição, cooperar.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

ESCLAREÇA DÚVIDAS SOBRE O USO DO HÍFEN E DOS ACENTOS GRÁFICOS

Na Nota Explicativa da 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), na qual a Academia Brasileira de Letras informa sobre os procedimentos metodológicos seguidos na elaboração dessa edição do VOLP, pode-se esclarecer questões polêmicas quanto ao uso do hífen e da acentuação gráfica. Por exemplo, saber que se usam ambas as formas carbo-hidrato e carboidrato e o acento em destróier.

Essas explicações se encontram no site da ABL, em arquivo pdf, procure em:

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=8707&sid=624

Para consultar o novo VOLP on-line, clique aqui.

CONFERÊNCIA DE BECHARA SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO (VÍDEO)

A conferência de Bechara pode ser vista através do seguinte link:

mais.uol.com.br/view/5538xakjh4b4/17032009--o-novo-acordo-ortografico-e-a-elaboracao-0402336CDCB98326?types=A&

No portal da Academia Brasileira de Letras, também se pode assistir aos vídeos das conferências promovidas pela ABL sobre o Acordo Ortográfico. Para tanto, deve-se seguir os seguintes passos:

1º) Acessar o portal da ABL: http://www.academia.org.br

2º) Posicionar o cursor sobre o campo MEMÓRIA DA ABL, no menu do portal.

3º) Clicar em: 2009.

4º) Clicar em: Conferências.

5º) Clicar em: O Acordo Ortográfico.

Pode-se assistir à conferência de Domício Proença Filho, "A história da ortografia e a ABL", além da conferência de Evanildo Bechara, "O Novo Acordo Ortográfico e a Elaboração do VOLP".

Cada uma das conferências tem a duração de uma hora.

AFINAL O LANÇAMENTO DO NOVO VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO - AGORA TAMBÉM ONLINE

Aconteceu no dia 19 de março, às 17h30min, no Petit Trianon, o lançamento da 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). O VOLP incorpora as normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico de 1990, regulamentado no Brasil por força de decretos assinados pelo Presidente Lula na ABL, no dia 29 de setembro de 2008, e já em vigor desde 1º de janeiro deste ano.

O volume tem 887 páginas e contém 349.737 vocábulos listados por ordem alfabética (com a classificação gramatical de cada um), além de cerca de 1500 estrangeirismos arrolados na parte final da obra.

Sandroni afirmou que, com o lançamento, “a Língua Portuguesa deixa para trás a condição de ser idioma cujo peso cultural e político ainda encontrava, na vigência de dois sistemas ortográficos oficiais, um entrave ao seu prestígio e difusão internacional”. Acrescentou, também, que “esta edição se apresenta aumentada em seu universo lexical, corrige falhas tipográficas e oferece informações ortoépicas sobre possíveis dúvidas resultantes do emprego de algumas das normas ortográficas”.

A ABL ainda apresentou texto de Nota Explicativa informando sobre os procedimentos metodológicos seguidos na elaboração dessa edição do VOLP. Sobre essa Nota Explicativa, o acadêmico Evanildo Bechara, coordenador da Comissão de Lexicografia e Lexicologia da ABL (integrada por ele e pelos acadêmicos Eduardo Portella e Alfredo Bosi), ressaltou a importância de que a opinião pública seja corretamente informada a respeito dos quatro princípios norteadores adotados pela ABL e que “garantem fiel compromisso aos propósitos dos signatários oficiais do Acordo”.

Os quatro princípios são os seguintes:

respeitar a lição do texto do Acordo;
estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo;
acompanhar o espírito simplificador do texto do Acordo;
preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores, quando das omissões do texto do Acordo.

quinta-feira, 5 de março de 2009

NOVA ORTOGRAFIA: CONSULTA AUTOMÁTICA E REGRAS


Para consulta automática do português do Brasil, clique no VOLP online.


Para pesquisa em português de Portugal, clique no Vocabulário Online da Editora Porto.


DICIONÁRIO ESCOLAR COM A NOVA ORTOGRAFIA

A Academia Brasileira de Letras (ABL) já lançou duas edições do DICIONÁRIO ESCOLAR DA LÍNGUA PORTUGUESA. Segue a notícia do assunto, publicada no site da ABL:

Esgotada a primeira edição de 15 mil exemplares, o “Dicionário Escolar da Língua Portuguesa” da Academia Brasileira de Letras - realizado em parceria com a Companhia Editora Nacional - teve sua segunda edição lançada no dia 12 de janeiro.

Resultado de três anos de trabalho das equipes técnicas do Setor de Lexicologia e Lexicografia da ABL, a obra reúne 33 mil verbetes, textos sobre a história da ABL, um histórico da Língua Portuguesa e da formação do léxico português, além de orientação quanto à nova ortografia, corrigidos os pontos aparecidos na primeira edição em que ainda não havia orientação definitiva sobre as normas que vigoram desde 1º de janeiro.

O Dicionário incorpora ainda um estudo sobre o verbo em Português (paradigmas verbais e quadros da conjugação desses paradigmas), bem como um suplemento sobre o Acordo Ortográfico.

O Dicionário, distribuído por 1.312 páginas, registra a divisão silábica das palavras, e sua ortoepia, fornece exemplos de uso, áreas de conhecimento, regionalismos e neologismos, locuções, remissões à conjugação verbal e flexão nominal e tabelas de conjugação de verbos.

Para saber a correta grafia de palavras, verifique o VOLP on-line, clicando aqui. O VOLP é o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras.

Para consultar um dicionário online, clique aqui.

QUEM COMANDA A NOVA ORTOGRAFIA?

De acordo com a Academia Brasileira de Letras, nosso órgão máximo de decisão sobre a ortografia no país, o acadêmico Evanildo Bechara é a autoridade maior no Brasil quanto a questões sobre a nova orgrafia. Ele ocupa essa posição desde 1º de janeiro, quando as regras do Novo Acordo Ortográfico entraram em vigor em oito nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Abaixo segue a transcrição de entrevista concedida por Bechara ao Jornal da Tarde (SP), em 26 de janeiro deste ano:

O "imortal" Evanildo Bechara, 81 anos, é o homem que atualizou a nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Coube ao professor resolver alguns problemas deixados sem solução no acordo de 1990, firmado entre o Brasil, Portugal e os demais países lusófonos. Tanta responsabilidade o deixou aflito, a ponto de lhe tirar o sono. Bechara conversou com o JT há uma semana, por telefone, e revelou que o maior problema do acordo foi a utilização, ou não, do hífen.

Professor, que baita responsabilidade deixaram na sua mão...

Pois é. É o que podemos chamar de presente de grego. Mas uma reforma ortográfica sempre está a cargo da Academia. Nossa reforma é o resultado do encontro de duas comissões acadêmicas (do Brasil e Portugal). A tarefa foi cair em minhas mãos porque sou especialista em língua portuguesa e o acadêmico Antônio Houaiss, que presidiu a comissão do lado brasileiro, morreu em 1999.

É possível apresentar esta reforma de forma popular?

Este trabalho está sendo feito pela imprensa. Os jornais brasileiros publicaram resumos quase sempre corretos. Alguns resumos possuíam erros técnicos, até porque não foram feitos por especialistas. Acredito que o apoio da imprensa escrita, falada e televisionada vai ajudar a efetivar as novas regras, ainda mais porque o acordo só toca em dois pontos: a acentuação das palavras (que em 90% dos casos é a mesma) e no emprego do hífen. O hífen é o maior problema, porque a ele cabia uma série de funções e o acordo simplificou o seu emprego. As regras são mínimas.

O fato de as regras serem mínimas torna a reforma popular?

A torna mais fácil. A língua não pertence apenas aos especialistas ou escritores. Ela é do homem e da mulher em geral. Então, a reforma, depois de assimilada, vai produzir efeitos muito favoráveis, como aconteceu com a reforma de 1971. Naquela época, nós desobrigamos o uso do acento diferencial em palavras muito usadas, como foi o caso do pronome “tôda”. O acento era usado por causa de um pássaro que o brasileiro nem conhece, que se chama “tóda”. Nós usávamos ainda acento em “nêle”, que era a combinação da preposição com o pronome ele. Colocávamos o acento por causa da palavra “néle”, que significa arroz de casca da Índia e também era o nome de uma antiga moeda francesa. Quando o acordo é omisso, nós seguimos a tradição ortográfica do Brasil e de Portugal.

Se o acordo veio para resolver problemas, porque ele é omisso em alguns pontos?

Ele ficou omisso porque todo acordo é enxuto. Imagine se a lei que estabeleceu que os motoristas devem se submeter ao teste do bafômetro fosse catalogar todos os casos para ser aplicada? A lei é geral. O acordo também é. Dentro dessa filosofia, você também vai aplicar as palavras.

Eliminaram o trema porque as pessoas já falavam as palavras sem precisar do sinal?

A eliminação do trema está na linha da eliminação de todos os acentos que não são usados para marcar a sílaba tônica. Os acentos que foram tirados de voo, enjoo, creem e leem são acentos que, a rigor, não precisavam, porque sem eles você não erraria na pronúncia. O trema é um sinal muito recente. Ele não tem a mesma tradição na ortografia que o sinal agudo, circunflexo ou til têm.

E como fica a questão dos acentos diferenciais nas palavras “forma” e “fôrma” e “pára” e “para”?

Na palavra “para”, do verbo parar, o acento desapareceu. O “fôrma” é facultativo. Só ficaram dois acentos diferenciais obrigatórios. O pretérito perfeito “pôde” e o infinitivo “pôr”. Se eu digo a um amigo que estou frequentando a academia para ficar em forma, ninguém vai pensar que estou em fôrma. O problema da ambiguidade é resolvido pelo contexto.

O senhor achou a mudança justa, essencial?

Foi uma mudança importante. As pessoas estão falando muito das consequências econômicas. Primeiro que as consequências não são exclusividade desta reforma. A ortografia portuguesa já passou por muitas reformas e todas provocaram perdas econômicas. Ninguém está pensando nos seguintes pontos: com esta reforma, o Brasil entra (e já entra tarde) no clube das línguas que atingiram a maturidade linguística e política de terem uma só ortografia oficial. Nossa língua é a única língua de cultura do mundo que tem duas ortografias oficiais. Em segundo lugar, uma reforma ortográfica nunca é para a geração que a faz. É sempre para os jovens que estão começando a ler e escrever. Escuto muito escritor dizendo que consegue ler sem dificuldades o português de Portugal e o do Brasil. Só que eles se esquecem que o adulto não é uma criança. A criança não consegue suprir a ortografia de duas culturas diferentes. É um argumento absurdo de gente que não pensa alto.

A nova ortografia não vai gerar um preconceito das gerações mais novas, dizendo que as mais velhas escreviam de tal forma?

Não. Imagine isso aplicado a música, ao futebol, a novela, a literatura. Não é um argumento de peso. Muito mais importante do que isso é você vir que hoje você entra em um shopping e todas as lojas só apresentam vestuário para jovens e não para os mais velhos.

O senhor se sentiu poderoso com essa responsabilidade?

Não. Pelo contrário. Eu me senti aflito. Perdi horas de sono tentando resolver alguns problemas. O acordo tem 18 páginas. O vocabulário ortográfico tem 1300. Dentro do acordo, eu tenho que colocar 3700 palavras. Não me senti poderoso não, mas aflito para me sair bem na tarefa.

Qual questão tirou o seu sono?

Foi o hífen. Quando você usa o acento agudo, ele tem uma função específica. Você só o usa para indicar na sílaba tônica a vogal aberta, como em “café”. Se a vogal é fechada, você usa circunflexo, como na palavra “você”. Quando chega a vez do hífen, ele tem várias funções. Serve para distinguir os significados, serve também para indicar a fonética da palavra, ou a sua classe gramatical.

Não temos muitas palavras com as letras K, W e Y. Vão surgir novas palavras com essas letras?

No dicionário temos palavras como o adjetivo “shakespeariano” ou “kantiano”. A inclusão das letras foi para corroborar algo que já existe. A única vantagem da inclusão é na hora de fazer uma enunciação de fatos. Tínhamos os itens a, b, c... j e pulava o K. Agora você pode enunciar o K, W e Y.

Como filólogo, o senhor acha que as palavras usadas pelos jovens na internet serão algum dia adicionadas ao dicionário?

Não, porque as palavras tem o seu círculo de uso. O palavrão na minha geração não era usado diante dos pais. Hoje, os jovens utilizam até diante das mulheres. É um problema de circulação. Essa linguagem dos jovens da internet é uma linguagem válida naquele circuito. No carnaval você pode sair vestido de mulher sem nenhum desdouro. Se fizer isso na Semana Santa, vão falar mal de você.

E como o senhor trata as críticas naturais a respeito da reforma?

Nunca respondo a críticas entre os especialistas, porque entre eles não existem críticas. As críticas que se fazem, que eu ouço e que leio nos jornais, são críticas de pessoas que não pertencem ao ramo, com ela você não pode discutir assunto técnico. É como se eu, como filólogo, quisesse discutir com o meu cardiologista. Ele vai me mandar, com razão, plantar batatas. E eu vou ficar calado.

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